Escândalo Vorcaro derrete Flávio Bolsonaro: 48% pedem desistência

A primeira pesquisa Datafolha realizada integralmente após a revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro mostra o estrago que o escândalo causou na pré-candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o G1, divulgado nesta sexta-feira (22), 48% dos eleitores querem que Flávio desista da disputa presidencial e apoie outro nome, enquanto apenas 44% defendem a manutenção de sua candidatura.

Os números revelam que o caso Vorcaro não é apenas uma crise passageira. A rejeição à permanência do senador atinge quase metade do eleitorado, um sinal de que a narrativa do ‘filho pedindo patrocínio privado’ não colou.

Entre os próprios eleitores de Flávio, a fidelidade permanece alta: 88% acham que ele deve continuar. No entanto, esse núcleo duro representa uma minoria no conjunto do eleitorado, e o dado mais importante é que 10% de seus apoiadores já consideram a desistência.

O impacto do escândalo transparece também nas intenções de voto. No cenário de segundo turno, Lula (PT) agora tem 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro.

No levantamento anterior, ambos estavam empatados em 45%. No primeiro turno, a vantagem do presidente saltou de 3 para 9 pontos percentuais, com Lula marcando 40% e Flávio 31%.

A percepção de proximidade entre o senador e o banqueiro é avassaladora: 72% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro têm uma relação próxima. Apenas 15% discordam, o que mostra como a divulgação das conversas consolidou uma imagem de intimidade que a campanha tenta negar.

Quando questionados sobre a atitude do senador ao pedir dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, 64% responderam que ele agiu mal. Somente 25% consideram que agiu bem, e 11% não souberam responder.

O julgamento é claro: a maioria dos eleitores vê a operação como inadequada, mesmo com a justificativa de que se tratava de um patrocínio privado. A defesa de Flávio, portanto, não foi suficiente para reverter o dano.

Outro dado relevante é o nível de informação sobre o caso: 30% se dizem bem informados sobre as conversas, enquanto 28% estão mais ou menos informados. No entanto, 36% ainda não tomaram conhecimento do episódio, o que sugere que o escândalo tem potencial para crescer e ampliar o desgaste.

Caso Flávio Bolsonaro abandone a disputa, 39% dos entrevistados gostariam que ele apoiasse Michelle Bolsonaro (PL). Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem empatados com 17% cada, enquanto Eduardo Bolsonaro fica com 10%.

Essa fragmentação indica que a direita está longe de ter um plano B consolidado. A eventual desistência de Flávio poderia desencadear uma disputa interna que beneficiaria Lula.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 20 e 22 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Os dados confirmam que o escândalo Vorcaro não é uma crise passageira, mas um divisor de águas na corrida presidencial.


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