Israel mata cinco policiais e menino de 13 anos em ataque aéreo no norte de Gaza

Homens se abraçam e choram em Gaza após ataque israelense que matou cinco policiais e um menino de 13 anos. (Foto: aljazeera.com)

Um ataque aéreo resultou na morte de ao menos cinco policiais e um menino de 13 anos no norte da Faixa de Gaza, informou a diretoria da polícia local. Duas testemunhas relataram que mísseis atingiram um posto policial na região de at-Twam, provocando mortes imediatas e deixando ao menos outros dez feridos.

O correspondente da Al Jazeera em Gaza, Hani Mahmoud, reportou que os policiais foram mortos no local do impacto e que fontes do hospital al-Shifa confirmaram a morte de pelo menos um civil que transitava por uma rua próxima. A força policial de Gaza, composta por cerca de 10 mil agentes, tornou-se um dos principais pontos de obstrução nas negociações para implementar o plano do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para o enclave palestino.

O ataque não é um incidente isolado, mas parte de um padrão de destruição deliberada das estruturas civis e de segurança que ainda restam em Gaza. As forças israelenses executaram centenas de ações letais contra policiais, agentes de segurança e funcionários encarregados de manter a ordem pública e distribuir ajuda humanitária.

A ofensiva militar, deflagrada após os eventos de outubro de 2023, já matou pelo menos 72.775 palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, com 883 mortes registradas recentemente. Nos últimos dois dias, corpos de oito palestinos e 29 feridos deram entrada em hospitais de Gaza, evidenciando a continuidade da agressão sistemática contra a população civil sitiada.

A destruição da força policial representa uma tentativa calculada de aprofundar o caos e impedir qualquer estabilização da vida civil no enclave. Sem agentes para proteger a distribuição de alimentos e medicamentos, crescem os casos de sequestro e saque de comboios humanitários, exatamente como documentado pelo repórter da Al Jazeera ao descrever o agravamento de um vácuo de poder deliberadamente fabricado por Tel Aviv.

As restrições impostas à entrada de ajuda humanitária seguem sendo um dos principais mecanismos de punição coletiva contra a população palestina. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) alertou que crianças estão sofrendo um aumento alarmante de infecções cutâneas causadas pela proliferação de ratos, piolhos, pulgas e ácaros, consequência direta das condições sanitárias impostas pelo bloqueio prolongado e pelos bombardeios incessantes.

Equipes de saúde da UNRWA conseguem tratar apenas cerca de 40% dos milhares de casos registrados, e medicamentos simples que resolveriam essas infecções seguem indisponíveis devido ao bloqueio. Em comunicado, a agência afirmou que remédios elementares estão em escassez crônica, deixando muitas crianças sem o tratamento que necessitam para condições que seriam facilmente controláveis em qualquer contexto de normalidade.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


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