República Islâmica rejeita acusação dos EUA sobre usina nos Emirados Árabes Unidos e denuncia ataques a suas instalações nucleares

O embaixador iraniano Amir-Saeid Iravani discursa em sessão do Conselho de Segurança da ONU. (Foto: en.mehrnews.com)

O embaixador e representante permanente da República Islâmica junto às Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, rejeitou formalmente as acusações dos Estados Unidos de que Teerã seria responsável por um ataque com drone à usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos. A negativa foi registrada em carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança, Fu Cong, com pedido de que o documento seja circulado como registro oficial do órgão.

De acordo com reportagem do portal Mehr News, a acusação americana foi apresentada pelo representante dos EUA durante uma sessão recente do Conselho de Segurança. Iravani classificou a alegação como infundada e sem qualquer evidência, revertendo o enquadramento ao apontar que a República Islâmica é, na verdade, vítima de agressões contra suas próprias instalações nucleares pacíficas.

O embaixador iraniano lembrou que os próprios Estados Unidos — o único país a usar armas nucleares na história — e Israel realizaram ataques ilegais contra as usinas de Natanz, Fordow, Isfahan e Bushehr. Essas instalações estão sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e os ataques, segundo a carta, constituem violações flagrantes da Carta da ONU, do direito internacional, do direito humanitário internacional e de resoluções da própria AIEA.

Em contraste com Washington e Israel, que Iravani recorda estar fora do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), a República Islâmica é signatário do TNP e rejeita há mais de duas décadas acusações infundadas contra seu programa nuclear pacífico. A carta destaca ainda que Teerã se submete a um dos mais rigorosos regimes de verificação da AIEA, ao mesmo tempo em que os EUA se retiraram do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) em violação à Resolução 2231 do Conselho de Segurança e impuseram sanções ilegais enquanto negociações ainda estavam em curso.

O documento solicita que Washington e Tel Aviv assumam total responsabilidade por todos os danos causados a civis, infraestrutura civil e instalações nucleares pacíficas iranianas. Iravani pede ainda que os responsáveis por crimes de guerra e crimes contra a humanidade sejam levados à justiça, e que o Conselho de Segurança rejeite o que classifica como narrativas politicamente motivadas e enganosas, destinadas a desviar a atenção das verdadeiras raízes da instabilidade regional.


Leia também: Irã nega ataque aos Emirados Árabes Unidos e adverte contra ações hostis a partir de seu território


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