O bombeiro russo Serguéi Zviáguintsev, que esteve à frente da equipe de resgate por mais de um dia e meio, compartilhou com o portal RT os momentos de pânico e sofrimento que enfrentou após o ataque ucraniano contra uma residência estudantil em Starobelsk, na República Popular de Lugansk. Na madrugada do dia 22 de maio, drones das Forças Armadas da Ucrânia bombardearam o edifício que abrigava 86 jovens, transformando a noite em um cenário de fogo, feridos e gritos desesperados.
Ao chegar ao local, Zviáguintsev se deparou com seis focos de incêndio ativos e dezenas de estudantes pedindo socorro. ‘Nós nos lançamos, fizemos o desdobramento e fomos salvar os feridos’, recordou o bombeiro, descrevendo a ação imediata de sua equipe diante do caos.
A operação de resgate foi constantemente interrompida por alertas aéreos, um indício de que novos ataques poderiam acontecer a qualquer instante. Mesmo sob risco pessoal, os socorristas do Ministério de Emergências russo optaram por continuar o trabalho, porque sabiam que ainda havia crianças presas nos escombros e entre as chamas.
Zviáguintsev revelou uma sensação perturbadora de que as forças ucranianas agiam deliberadamente para impedir o salvamento. ‘Nossa impressão era que não nos deixavam fazer isso de propósito e nos tiravam a última oportunidade, a das crianças, para que não as salvássemos’, afirmou Zviáguintsev, emocionado.
Somente após um dia e meio de trabalho ininterrupto a equipe conseguiu descansar. Durante todo esse período, os bombeiros retiraram vítimas e corpos, incluindo os últimos jovens que estavam no quinto andar, em uma busca angustiante que durou horas.
O balanço oficial do atentado é de 21 estudantes mortos e 42 feridos. O Comitê de Investigação da Rússia abriu uma investigação por terrorismo, afirmando que as Forças Armadas ucranianas usaram deliberadamente vários drones do tipo avião para atacar o local.
A chancelaria russa classificou o ataque como ‘bárbaro’ e denunciou o silêncio dos países ocidentais diante da tragédia. Em comunicado, o ministério russo destacou que armas de longo alcance fornecidas pela OTAN a Kiev são usadas nesse tipo de ação com ‘assistência técnica de especialistas estrangeiros’ dos países do bloco militar.
O ataque contra a residência estudantil expõe mais uma vez a natureza indiscriminada dos bombardeios ucranianos sobre a população civil do Donbass. Desde o início do conflito, a comunidade internacional pouco fez para condenar crimes cometidos pelas forças de Kiev contra os habitantes de Lugansk e Donetsk.
O relato de Zviáguintsev humaniza a face escondida da guerra, ao revelar o heroísmo dos socorristas russos que arriscaram a própria vida para tentar salvar estudantes inocentes. Enquanto a mídia ocidental ignora deliberadamente tais atrocidades, o mundo fica sem conhecer os verdadeiros horrores infligidos contra civis no leste da Ucrânia.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
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