A busca pela juventude eterna está empurrando os jumentos para a beira da extinção, mas uma equipe de pesquisadores brasileiros pode ter a solução definitiva. Cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) lideram um projeto inovador para desenvolver colágeno de pele de jumento cultivado diretamente em laboratório, eliminando a necessidade de abater os animais para a produção do ejiao, um remédio tradicional chinês cobiçado por suas supostas propriedades antienvelhecimento.
A professora Carla Molento, especialista em bem-estar animal e coordenadora do Laboratório de Bem-Estar Animal (LABEA) da UFPR, está à frente da iniciativa que promete revolucionar o mercado global de medicina tradicional. Molento afirma que o objetivo é criar ‘um sistema inovador pronto para produção em escala’ de gelatina de pele de jumento, capaz de frear o declínio acelerado da espécie em todo o planeta.
O processo desenvolvido pelos pesquisadores brasileiros utiliza o mesmo DNA dos animais para codificar o colágeno, garantindo que o produto final mantenha ‘todas as qualidades do convencional’. A grande vantagem da técnica, conforme reportagem do South China Morning Post, é a pureza do material obtido, livre de contaminantes como metais pesados e riscos de patógenos que frequentemente aparecem nos métodos tradicionais de extração.
A demanda chinesa por ejiao explodiu nas últimas décadas, à medida que a classe média do país abraçou o composto de colágeno como um elixir rejuvenescedor e tratamento para diversas condições de saúde. Estima-se que milhões de jumentos sejam abatidos anualmente para sustentar essa indústria bilionária, com populações inteiras da espécie desaparecendo em países da África, América Latina e Ásia, onde os animais são caçados ou criados exclusivamente para o comércio de peles.
A iniciativa da UFPR representa um salto tecnológico com potencial para transformar radicalmente esse cenário de extermínio silencioso. Ao produzir colágeno idêntico ao natural sem depender do abate, a técnica não apenas preserva os jumentos como também oferece um produto mais seguro e controlado para os consumidores.
O laboratório brasileiro trabalha agora para viabilizar a produção em escala comercial, etapa crucial para que o colágeno cultivado possa competir com o mercado tradicional. Caso bem-sucedido, o projeto pode servir de modelo para outras tecnologias de substituição de produtos de origem animal na medicina e na indústria cosmética global.
Leia mais sobre o assunto na scmp.com.
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