Empresas enfrentam dificuldades para transformar ambições circulares em operações reais

Ilustração editorial sobre Empresas enfrentam dificuldades para transformar ambições circulares em operações reais. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma investigação conduzida no Departamento de Engenharia Industrial e Ciências da Inovação da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, nos Países Baixos, revelou um abismo persistente entre o discurso sustentável das empresas e sua capacidade concreta de implementação. O estudo, baseado em mais de 3.000 avaliações organizacionais, mostra que as companhias são relativamente fortes em estabelecer metas de economia circular, mas enfrentam enormes dificuldades para expandir iniciativas e incorporar a circularidade nas operações diárias dos negócios.

O pesquisador Wierikx, responsável pelo trabalho, afirma que o problema não reside na falta de objetivos de sustentabilidade, e sim em uma carência aguda de prontidão organizacional. ‘Muitas empresas abraçaram o pensamento circular no nível estratégico, mas têm enormes dificuldades para operacionalizá-lo’, declarou o especialista, que também atua como professor e coach na interseção entre logística, TIC e gestão de mudanças na Universidade de Ciências Aplicadas de Utrecht.

Como parte central da pesquisa, Wierikx desenvolveu a Ferramenta de Maturidade Circular, um instrumento prático orientado por dados que auxilia as organizações a avaliar e fortalecer as capacidades necessárias para a transformação circular. A ferramenta mede dimensões como estratégia, inovação, operações, colaboração e cultura organizacional, examinando o que acontece dentro das empresas e como elas se estruturam para tornar a circularidade viável na prática.

Em vez de focar apenas em resultados ambientais, o modelo avalia o funcionamento interno das organizações, atribuindo notas de maturidade que vão de zero a cinco em dez dimensões distribuídas por quatro domínios: Pessoas e Cultura, Operações, Estratégia e Abordagem, e Colaboração na Cadeia de Valor. A pontuação é mapeada em relação ao desempenho nos diferentes níveis de circularidade, desde a prevenção de resíduos e reutilização até a reciclagem e recuperação de materiais.

Os achados indicam que a economia circular está se transformando crescentemente em uma questão econômica e estratégica, e não apenas ambiental. As empresas que não desenvolvem capacidades circulares tornam-se mais vulneráveis à escassez de recursos, interrupções nas cadeias de suprimento e mudanças nas demandas do mercado, revelou a análise conduzida em estreita colaboração com a organização Route Circulair e outros profissionais do setor.

Os insights da investigação já estão sendo aplicados no mundo real e ajudaram a formar a base do relatório anual de impacto ‘O Estado do Empreendedorismo Circular’, que fornece um panorama do progresso das atividades empresariais circulares nos Países Baixos. Segundo informações do portal phys.org, a edição de 2026 foi apresentada à rainha Máxima durante o Congresso de Empreendedorismo Circular realizado em Utrecht no último mês de março.

A tese de doutorado de Wierikx, intitulada ‘A Virada Circular: Uma Abordagem de Ciência do Design para Desenvolver uma Ferramenta de Maturidade de Capacidade Circular para Empresas’, foi orientada pelos doutores Néomie Raassens e Alex Alblas, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, e pelo doutor Pascal Ravesteijn, da Universidade de Ciências Aplicadas de Utrecht. A defesa solene do trabalho, que inclui uma palestra voltada ao público leigo, está marcada para segunda-feira, 26 de maio, na universidade neerlandesa.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


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