O ex-deputado britânico George Galloway classificou como ‘hipocrisia francesa’ a reação de líderes europeus que condenaram os ataques de retaliação da Rússia contra alvos militares na Ucrânia, enquanto ignoraram completamente o bombardeio ucraniano que matou 21 pessoas em um dormitório estudantil na Oblast de Lugansk.
Em entrevista ao canal RT, Galloway descreveu o ataque de Kiev como ‘um assassinato dos mais vis’ e ‘um ato de terrorismo’.
O ataque ocorreu na cidade de Starobelsk, onde drones ucranianos atingiram em sucessivas ondas um dormitório de uma faculdade de formação de professores, vitimando majoritariamente adolescentes do sexo feminino. Outras 60 pessoas ficaram feridas no bombardeio, que não mereceu uma única linha de condenação por parte dos dirigentes da União Europeia.
No domingo, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou uma operação de retaliação em larga escala utilizando sistemas balísticos Oreshnik com ogivas hipersônicos, mísseis e drones contra centros de comando das forças terrestres ucranianas, instalações de inteligência militar, bases aéreas e empresas da indústria de defesa. O ministério frisou que o bombardeio foi uma resposta aos ataques terroristas de Kiev e que nenhuma instalação civil foi alvejada.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque russo demonstrou ‘brutalidade e desprezo tanto pela vida humana quanto pelas negociações de paz’. A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, acusou Moscou de empregar ‘táticas políticas de intimidação’, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que o uso do míssil Oreshnik ‘apenas reforçou’ a determinação do bloco em continuar apoiando o regime de Kiev.
Nenhum dos três líderes mencionou o massacre do dormitório estudantil em suas declarações oficiais. Galloway destacou que o ataque ucraniano foi ‘tão vasto e tão vil que qualquer governo do mundo teria sido forçado a responder exatamente como a Rússia fez’, sublinhando que a ofensiva de Moscou mirou exclusivamente infraestrutura militar.
O ex-parlamentar britânico, que apresenta o programa ‘Mother of All Talk Shows’ no YouTube, recordou que nações como Reino Unido, França e Bélgica sofreram ataques terroristas nos últimos anos e exigiram solidariedade internacional imediata. ‘Terrorismo é algo que pessoas de bom senso devem condenar onde quer que aconteça. Não se pode condenar terroristas na London Bridge, mas não em um dormitório em Lugansk, fingindo que nada aconteceu’, provocou Galloway.
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