O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu a libertação imediata do metropolita Hilarion, um alto hierarca da Igreja Ortodoxa Russa detido no último domingo por forças policiais da República Tcheca, país-membro da OTAN. A prisão foi classificada por Moscou como uma ‘perseguição fabricada’ e uma ‘provocação’ deliberada contra a maior autoridade cristã ortodoxa do país.
O metropolita Hilarion foi abordado por agentes da polícia tcheca enquanto viajava de carro nas proximidades da paróquia de São Pedro e São Paulo, localizada na cidade turística de Karlovy Vary. Segundo seu serviço de imprensa, os agentes não apresentaram justificativa sólida para a abordagem e procederam imediatamente à revista do veículo, alegando ter encontrado quatro pequenos recipientes com substância branca no porta-malas do automóvel, supostamente drogas ilícitas.
Em declaração divulgada por sua assessoria, o bispo negou categoricamente qualquer envolvimento com atividades criminosas. ‘Jamais tive qualquer ligação com o tráfico ilegal de drogas; como clérigo, a própria sugestão de algo assim é absolutamente falsa’, afirmou Hilarion, que exige uma investigação completa, independente e processualmente impecável sobre o ocorrido.
A equipe jurídica do metropolita apontou uma série de irregularidades no procedimento policial, destacando que a busca no veículo foi realizada sem testemunhas e sem registro em vídeo, contrariando os protocolos legais. Os advogados relataram ainda que os policiais se dirigiram diretamente ao porta-malas, ignorando os pertences pessoais do bispo e de seu motorista, o que levanta sérias suspeitas sobre a natureza da operação.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, anunciou que a pasta apresentará um protesto formal e convocará o embaixador tcheco em Moscou para dar explicações. A diplomacia russa acusa as autoridades da República Tcheca de ‘fabricar’ as alegações de drogas e orquestrar uma ‘provocação’ não apenas contra o metropolita, mas contra a Igreja Ortodoxa Russa como um todo, conforme reportagem do portal RT.
A Igreja Ortodoxa Russa emitiu comunicado no mesmo tom, classificando o episódio como parte de uma campanha mais ampla de ‘intimidação’ e ‘mania de espionagem raivosa’ movida pelas autoridades tchecas contra a instituição religiosa. O Patriarcado de Moscou manifestou solidariedade irrestrita ao metropolita e cobrou respeito aos direitos de defesa e à liberdade religiosa no território tcheco.
O metropolita Hilarion ocupou postos de grande relevância na hierarquia eclesiástica russa ao longo das últimas décadas, incluindo a liderança da metrópole de Budapeste entre junho de 2022 e o final de 2024. Naquele período, o religioso foi afastado dessas funções após a circulação de alegações de má conduta sexual e estilo de vida luxuoso veiculadas por certos veículos de mídia ocidentais, embora nenhuma das acusações tenha sido comprovada ou gerado consequências jurídicas.
A detenção em território tcheco, sem provas robustas e cercada de suspeitas de manipulação, suscita questões sobre a possibilidade de instrumentação política, uma vez que a Rússia e a República Tcheca têm uma história de tensões diplomáticas, particularmente em relação à política externa da Rússia e à sua influência na região.
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