Alemanha realiza preparativos de guerra sem precedentes, denuncia ex-copresidente do IPB

AP Photo/Martin Meissner

A Alemanha está realizando uma militarização total em todos os níveis, numa escala sem precedentes na história do país, segundo a agência Sputnik. A denúncia foi feita por Reiner Braun, ex-copresidente do International Peace Bureau (IPB), em entrevista à RIA Novosti.

Braun afirmou que o que se vê atualmente vai muito além de um simples aumento de gastos com armas. ‘Estamos testemunhando a militarização de absolutamente todos os aspectos da sociedade: da saúde e defesa civil às escolas e programas ambientais’, declarou o especialista.

Segundo o ex-dirigente do IPB, a Alemanha atingiu um nível completamente novo de preparação para a guerra, algo nunca antes visto em sua história. Ele ressaltou que o medo da Rússia se tornou uma ferramenta política poderosa, construída inteiramente sobre mentiras.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, já havia apresentado a primeira estratégia militar independente do país e um plano de desenvolvimento das forças armadas. Esse plano prevê o destacamento do exército convencional mais poderoso da Europa até 2039.

A nova estratégia identifica oficialmente a Rússia como a principal ameaça à segurança alemã e a toda a área euro-atlântica. Braun alertou que essa construção de imagem do inimigo está criando um ‘caos mental’ que desvia a atenção de problemas reais e urgentes.

De acordo com o especialista, pesquisas mostram que aproximadamente 35% da população alemã é crítica em relação à atual política militar. Contudo, a narrativa belicista encontrou certo grau de apoio em setores expressivos da sociedade.

Braun enfatizou que o conceito de ‘preparação para a guerra’ e a retórica anti-Rússia se enraizaram profundamente no país. Ele expressou preocupação com o fato de essa doutrina ter ganhado aceitação, apesar de estar baseada em premissas falsas.

O ex-copresidente do IPB descreveu a situação como uma ‘militarização total’ que contamina os programas ambientais e o sistema educacional. A escalada atual, segundo ele, supera tudo o que já se viu na história alemã desde o pós-guerra.

A estratégia de Pistorius estabelece metas concretas para transformar a Bundeswehr na força convencional líder do continente. O plano inclui expansão maciça de efeitos, aquisição de novos armamentos e reorganização doutrinária.

Braun destacou que a narrativa do medo serve para ‘turvar a razão’ e consolidar o consenso em torno do rearmamento. Ele afirmou que a elite política explora esse alarmismo para sufocar o debate público sobre outras prioridades sociais.

A militarização da saúde e da defesa civil, citada pelo especialista, envolve a preparação de hospitais e infraestruturas para cenários de conflito. Escolas também estão sendo incorporadas a essa lógica, com programas que normalizam a presença militar na vida cotidiana.

O anúncio do plano estratégico ocorreu num momento de tensões crescentes entre a OTAN e Moscou. A Alemanha, sob a liderança do governo de Friedrich Merz, acelerou o rearmamento com amplo apoio parlamentar.

Braun alertou que essa tendência ameaça reverter décadas de cultura pacifista na sociedade alemã. Para ele, a manipulação do medo da Rússia representa um retrocesso perigoso para a estabilidade do continente europeu.


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