Um estudo internacional publicado na revista Nature Climate Change revelou que o Sistema Global de Observação dos Oceanos (GOOS) é significativamente mais frágil do que a comunidade científica imaginava. A pesquisa, liderada por Lijing Cheng, do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, demonstrou que perdas relativamente pequenas de dados já comprometem gravemente a precisão das estimativas de aquecimento oceânico.
O GOOS é uma infraestrutura científica distribuída que reúne boias, navios e flutuadores espalhados por todos os oceanos, sustentando previsões de furacões, dos fenômenos El Niño e La Niña, além de operações de pesca e navegação. Conforme destacou o Olhar Digital, a rede serve como base para modelos climáticos e previsões sazonais em escala mundial.
Os cientistas simularam cenários de perda gradual de medições ao longo do tempo, removendo partes das observações globais para testar a resiliência do sistema. Quando cerca de 20% dos dados foram retirados, a precisão das estimativas de aquecimento dos oceanos caiu aproximadamente um terço, segundo os resultados apresentados.
Em situações mais extremas, com a eliminação de 80% das medições, o sistema perde completamente a capacidade de distinguir tendências reais de ruído estatístico. A partir desse ponto, o monitoramento global dos oceanos torna-se ineficaz para orientar decisões de política pública e alertas de eventos extremos.
A pesquisa apontou ainda que a remoção hipotética dos dados provenientes dos Estados Unidos geraria um impacto ainda maior do que perdas aleatórias de grande escala. Isso ocorre porque as observações americanas cobrem regiões estrategicamente posicionadas, cuja ausência cria lacunas dificilmente compensadas por outras fontes.
A maior parte do sistema depende de colaboração internacional contínua, e reduções de investimento já provocaram falhas anteriores em séries históricas de dados. Além de cortes orçamentários, eventos extremos como a pandemia de Covid-19 e dificuldades logísticas em áreas remotas também podem interromper temporariamente a coleta de informações.
Os autores do estudo defendem que o GOOS seja tratado como infraestrutura essencial, dado seu impacto direto em decisões econômicas e ambientais. A falta de coordenação global, alertam, pode ampliar pontos cegos no monitoramento oceânico e aumentar a vulnerabilidade de países a furacões, secas e outros eventos climáticos extremos.
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