Investigação revela que ocupação de Israel em Gaza, Líbano e Síria soma 1.000 km² além dos mapas oficiais

Ilustração editorial sobre Investigação revela que ocupação de Israel em Gaza, Líbano e Síria soma 1.000 km² além dos mapas oficiais. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma investigação da Unidade de Fontes Abertas da Al Jazeera revelou que o controle militar de Israel sobre territórios em Gaza, sul do Líbano e sul da Síria se estende muito além do que os mapas oficiais de cessar-fogo indicam, totalizando aproximadamente 1.000 quilômetros quadrados sob ocupação direta. A equipe de investigação digital cruzou mapas oficiais do exército israelense, imagens de satélite capturadas após os acordos de cessar-fogo, cálculos geoespaciais com Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e dados do projeto Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) para mapear a presença militar real no terreno.

Em Gaza, o ponto de partida da análise foi a chamada ‘Linha Amarela’, que o exército israelense apresentou como o limite de sua zona de controle após o cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, abrangendo cerca de 53% da área total da Faixa. No entanto, ao geolocalizar os blocos de concreto amarelo que demarcam fisicamente essa fronteira, os investigadores descobriram que os marcadores não respeitam o traçado oficial, excedendo-o em centenas de metros em vários pontos.

O governo de Gaza denunciou que, em 20 de novembro, as forças israelenses avançaram sobre bairros orientais da Cidade de Gaza e moveram os marcadores cerca de 300 metros para oeste, expandindo a área de controle militar enquanto deslocavam famílias palestinas dos bairros de Shujayea e Tuffah. Esse movimento representou um aumento de 4,7% na área controlada no norte da Faixa, que passou de 67,3 km² para 73,9 km².

No sul do Líbano, o padrão se repete em uma escala muito maior. Após o cessar-fogo de 17 de abril, Israel declarou o controle sobre aproximadamente 570 km² do território libanês, mais da metade de toda a área ocupada desde outubro de 2023. Contudo, a análise comparativa de imagens de satélite entre 24 de abril e 19 de maio mostrou que operações de demolição em larga escala continuaram ocorrendo mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo, atingindo vilarejos situados fora da linha declarada de controle militar.

Um dos exemplos documentados pela investigação é a cidade de Zawtar al-Sharqiyah, onde a comparação entre as imagens de 24 de abril, que mostram a cidade intacta, e as de 19 de maio, que revelam destruição significativa, comprova a expansão das operações militares para além dos limites oficiais. A evidência de demolições em áreas fora da jurisdição reconhecida expõe uma discrepância sistemática entre o que é declarado nos acordos e o que é executado no terreno.

Já no sul da Síria, a situação é ainda mais opaca, pois Israel jamais publicou um mapa oficial delimitando sua zona de controle. Sem um documento para contestar, a investigação da Al Jazeera baseou-se exclusivamente no trabalho de campo e na identificação de postos militares permanentes instalados além da ‘Linha Alpha’, que separa as Colinas de Golã ocupadas do restante do território sírio sob o Acordo de Desengajamento de 1974.

O mapeamento dessas posições militares revela que elas formam uma faixa estratégica contínua que se estende do Monte Hermon, ao norte, até as proximidades do Rio Yarmouk, na fronteira com a Jordânia, ao sul. A área estimada sob influência militar direta desses postos é de aproximadamente 235 km², configurando uma ocupação de fato que se consolidou na ausência de qualquer declaração oficial.

Além da ocupação permanente, os dados do ACLED permitiram documentar mais de 800 incursões israelenses em território sírio para além da zona de

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


Leia também: Israel expande ocupação em Gaza, Síria e Líbano e aprofunda instabilidade regional


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