O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou que votar no senador Flávio Bolsonaro (PL) do Rio de Janeiro significa entregar a reeleição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorreu durante um evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) em São Paulo.
A afirmação acentuou a crise entre Zema e a família Bolsonaro, que já estava evidente após a revelação da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por envolvimento em fraude bilionária. De acordo com o Metrópoles, Zema classificou Vorcaro como ‘o maior bandido do sistema financeiro da história do Brasil’ e considerou ‘imperdoável’ a proximidade de Flávio com o investigado.
Zema expressou seu desapontamento e disse que a defesa de Flávio Bolsonaro não foi convincente, reacendendo um confronto que parecia temporariamente resolvido. A pesquisa BTG/Nexus, que mostrou Zema com 4% das intenções de voto, atrás de Lula (40%) e Flávio Bolsonaro (35%), e em empate técnico com Ronaldo Caiado (PSD), que tem 5%, foi o catalisador para o novo desafio de Zema.
O pré-candidato do Novo começou a se dirigir ao eleitorado da direita que apoia o senador do Rio de Janeiro, buscando se apresentar como uma alternativa viável contra o PT. O movimento provocou a reação das lideranças bolsonaristas. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais para lançar ataques pessoais, dizendo que Zema ‘na primeira oportunidade, vem mais uma facada’, aludindo a uma traição política.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-RJ) também criticou o mineiro, comparando-o ao ex-candidato João Amoêdo, que deixou o partido Novo após discordâncias. A postura de Zema nas últimas semanas mostra a dificuldade do governador mineiro em equilibrar o cálculo eleitoral. Após criticar Flávio Bolsonaro inicialmente, Zema recuou em um evento do Novo, dizendo que votaria no senador em um eventual segundo turno contra Lula, considerando o episódio como ‘página virada’.
A trégua foi efêmera e o novo ataque, mais duro, ampliou o isolamento do pré-candidato no meio da intensa militância bolsonarista. A discussão gira em torno do momento de desgaste do senador Flávio Bolsonaro, que tenta explicar as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro por meio de um suposto contrato de financiamento do filme ‘Dark Horse’, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra, com previsão de estreia, teria recebido promessa de investimento de 130 milhões de reais do banqueiro preso, mantendo o escândalo no centro da disputa presidencial. Para Zema, o objetivo é convencer a direita de que o nome de Flávio se tornou tóxico e que insistir nele é favorecer Lula.
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