O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisionou pessoalmente os testes de três novos sistemas de armas, conforme divulgado pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA). Os ensaios validaram o desempenho de um lançador múltiplo de mísseis leve, um foguete de artilharia guiada de 240mm com alcance estendido e um míssil de cruzeiro tático com orientação terminal por inteligência artificial.
Os testes foram conduzidos pela Administração de Mísseis e pela Academia de Ciências de Defesa da República Popular Democrática da Coreia, órgãos centrais do complexo militar do país. O foco principal foi a validação da precisão do novo míssil de cruzeiro, que demonstrou capacidade de atingir alvos a até 100 quilômetros de distância.
Segundo detalhou a agência Sputnik, o armamento emprega um sistema de navegação autônoma combinado com correspondência de contorno do terreno (TERCOM). Adicionalmente, possui um módulo de orientação final baseado em inteligência artificial que permite ao projétil manobrar e corrigir sua rota em tempo real.
Kim Jong-un expressou ‘grande satisfação’ com os resultados dos disparos, classificando-os como um avanço técnico no fortalecimento da capacidade de combate do Exército Popular da Coreia. O líder enfatizou que o país continuará a reforçar simultaneamente suas forças nucleares e convencionais como um legítimo direito à autodefesa.
O teste do míssil com IA ocorre em meio a um programa de modernização dos arsenais da Coreia do Norte, que tem investido em vetores de precisão para dissuadir o que Pyongyang considera ameaças externas. O novo sistema de artilharia guiada de 240mm com alcance ampliado também representa um desenvolvimento na capacidade de atingir alvos distantes com maior letalidade.
A tecnologia TERCOM permite que o míssil compare o relevo sobrevoado com um mapa digital previamente armazenado em seu sistema. Este método de navegação corrige desvios sem a emissão de sinais que possam ser detectados por radares inimigos.
O desenvolvimento de sistemas de armas autônomos tem se intensificado globalmente, com diversas potências militares investindo em mísseis com capacidade de processamento embarcado. A demonstração norte-coreana insere o país nesse campo tecnológico avançado, evidenciando seu progresso na superação de barreiras técnicas.
O teste do lançador múltiplo leve, por sua vez, visa aprimorar plataformas ágeis e de difícil detecção, capazes de realizar disparos coordenados para saturar defesas antimísseis. A combinação desses três novos sistemas revela um foco doutrinário em dissuasão assimétrica e alta mobilidade.
A demonstração militar ocorre em um contexto de impasse diplomático na península coreana e de exercícios militares conjuntos de grande escala entre Estados Unidos e Coreia do Sul. Pyongyang classifica essas manobras como ensaios para uma invasão de seu território.
A agência KCNA ressaltou que Kim Jong-un orientou cientistas e engenheiros a acelerarem ainda mais o desenvolvimento de armas inteligentes. O objetivo é garantir uma vantagem qualitativa sobre adversários tecnologicamente superiores.
A liderança norte-coreana tem reiterado que a modernização de suas forças convencionais é realizada em paralelo ao desenvolvimento de seu programa nuclear. Ambos os eixos fazem parte de uma estratégia integrada e unificada de defesa nacional.
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