A Coreia do Sul lançou um ambicioso programa para desenvolver o próprio motor de drones de combate colaborativo, mirando o seleto grupo de elite dominado por China e Estados Unidos. A iniciativa foi detalhada em reportagem do South China Morning Post, que revela o esforço de Seul para dominar uma das tecnologias mais restritas e complexas da guerra moderna.
O novo motor será adequado para aeronaves de combate colaborativo (CCA) e outras plataformas não tripuladas, integrando uma carteira de propulsão de veículos aéreos não tripulados (VANT) financiada pelo governo. O projeto inclui um turbofan de baixo desvio da classe de 5.500 libras, voltado para aeronaves não tripuladas furtivas do tipo ‘wingman’, além de tecnologias centrais para um turbofan de 10.000 libras destinado a plataformas ainda mais sigilosas.
Liselotte Odgaard, pesquisadora sênior do Hudson Institute em Washington, classificou a busca sul-coreana por um motor indígena como uma tentativa deliberada de entrar no primeiro escalão dos produtores de VANT. Segundo Odgaard, dominar a propulsão é o fator decisivo para moldar a competitividade e o potencial exportador no mercado de drones.
Ao nacionalizar esses subsistemas, a Coreia do Sul pretende reduzir a dependência de parceiros estrangeiros e consolidar uma posição soberana no segmento de alto desempenho. O investimento em tecnologias de turbofan avançadas mostra a determinação de Seul em controlar os elementos mais sensíveis de sua futura capacidade de combate aéreo.
A corrida global por drones ‘leais de asa’ se intensifica à medida que as forças aéreas projetam redes de aeronaves não tripuladas voando ao lado de caças pilotados para multiplicar o poder de fogo e a sobrevivência no campo de batalha. China e Estados Unidos já demonstraram protótipos sofisticados, tornando a autossuficiência tecnológica uma prioridade estratégica incontornável.
Para a Coreia do Sul, grande exportadora de armas com uma indústria aeroespacial robusta, o programa de motores se alinha à estratégia mais ampla de elevar o perfil das exportações de defesa. Odgaard frisou que os motores representam exatamente os subsistemas tecnologicamente mais complexos e restritos que definem a maturidade industrial de um país no setor aeroespacial.
O movimento sul-coreano expõe as correntes geopolíticas da competição por drones, em que nações buscam escapar da dependência dos grandes provedores globais. A aposta de Seul tem potencial para reconfigurar a dinâmica na Ásia, onde tanto China quanto Estados Unidos disputam influência militar-tecnológica em todos os tabuleiros.
Com informações de SCMP.
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