Cientistas alemães descobriram que morcegos utilizam mecanismo metabólico considerado impossível para mamíferos durante migrações sazonais. A queima massiva de ácidos graxos como combustível principal de voo foi identificada em pesquisa conduzida pelo Instituto Leibniz de Pesquisa em Zoológico e Vida Selvagem e pelo Helmholtz Munich.
A equipe liderada pela Dra. Alesia Walker e pelo Prof. Dr. Christian Voigt analisou amostras de sangue do morcego-de-Nathusius. Os espécimes foram estudados em túnel de vento na Universidade de Lund e em estado selvagem nas estações ornitológicas da Letônia.
Os resultados, publicados no FASEB Journal, revelaram aumento de 70% nos níveis de acil carnitinas no sangue dos morcegos durante o voo migratório. Essas moléculas transportam ácidos graxos para as mitocôndrias, onde são oxidados para gerar energia contínua.
A descoberta contraria o modelo metabólico clássico dos mamíferos, que entram em colapso energético quando as reservas de glicogênio se esgotam. Morcegos superaram essa limitação evolutiva, evitando o fenômeno conhecido como ‘bater no muro’ entre atletas de resistência.
Os cientistas identificaram níveis elevados de fosfatidiletanolaminas com ácidos graxos insaturados nos indivíduos capturados durante a migração. Metabólitos de ácidos graxos saturados não apresentaram diferenças significativas entre os grupos.
Morcegos não sintetizam ácidos graxos poli-insaturados e os obtêm da dieta. Durante a migração, o morcego-de-Nathusius se alimenta de insetos aquáticos e ribeirinhos, ricos nesses compostos.
O Prof. Voigt comparou o desempenho metabólico dos morcegos ao das aves migratórias. ‘Morcegos atuam como as aves e sustentam altos níveis de desempenho por meio da oxidação de ácidos graxos’, afirmou o pesquisador.
Teoricamente, morcegos poderiam migrar até a África, mas não o fazem por não precisarem. Eles hibernam no Mediterrâneo, sobrevivendo sem buscar climas mais quentes.
A espécie estudada realiza migrações sazonais de milhares de quilômetros entre o nordeste da Europa e refúgios no oeste e sul do continente. A pressão evolutiva desenvolveu essa capacidade metabólica excepcional para garantir o sucesso desses deslocamentos.
O estudo empregou métodos cromatográficos especializados para analisar metabólitos no sangue dos animais. Foram coletados dados de 16 indivíduos no túnel de vento e 47 capturados durante voos noturnos na natureza.
A pesquisa representa avanço na compreensão da bioenergética de mamíferos migratórios. A capacidade de queimar gordura durante atividade intensa revela convergência evolutiva impulsionada pelas demandas do voo migratório.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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