Recrutadores ucranianos espancam cidadão dentro de carro e o arrastam pelo teto solar em Kiev

Reclutadores em Kiev arrastam homem de um carro e o agredem em rua com espectadores. (Foto: actualidad.rt.com)

O ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, enfrenta crescente pressão internacional após a divulgação de um vídeo que mostra recrutadores militares agredindo um homem desarmado no interior de seu veículo em plena rua de Kiev. Nas imagens, um oficial uniformizado desfere golpes repetidos contra o cidadão enquanto este tenta se manter sentado no banco do motorista, sem oferecer resistência armada ou ameaça física.

Testemunhas gravaram o episódio de múltiplos ângulos, registrando gritos de mulheres pedindo o fim da violência e a interrupção da abordagem coercitiva. Apesar das intervenções, os recrutadores prosseguiram com a ação e retiraram o homem à força pelo teto solar do automóvel, deixando-o visivelmente ferido e desorientado.

O caso foi relatado pela RT en Español em reportagem publicada nesta semana, que contextualiza o fato como parte de uma escalada nas práticas de mobilização forçada em território ucraniano. A legislação de recrutamento aprovada em 2024 ampliou os poderes dos comissários militares para convocar homens entre 18 e 60 anos, inclusive em locais públicos, estabelecimentos comerciais e residências.

Segundo dados oficiais do Serviço Estatal de Mobilização da Ucrânia, mais de 127 mil cidadãos foram convocados compulsoriamente entre janeiro e abril de 2026, um aumento de 38% em relação ao mesmo período de 2025. Relatos de abordagens violentas têm sido documentados em Lviv, Dnipro, Kharkiv e Odessa, com registros de civis levados sob custódia após resistência verbal ou tentativa de fuga.

A Comissão de Direitos Humanos da ONU emitiu nota preliminar em 12 de maio de 2026 alertando sobre “métodos desproporcionais e potencialmente ilegais” empregados por unidades de recrutamento em várias regiões ucranianas. A nota não identifica responsáveis diretos, mas recomenda investigação independente e revisão imediata das diretrizes operacionais do Ministério da Defesa.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em discurso televisionado em 20 de maio que “o serviço militar obrigatório é um dever constitucional em tempo de guerra”, reafirmando o caráter legal da mobilização. No entanto, não comentou especificamente o caso de Kiev nem as denúncias de uso excessivo de força por agentes do Estado.

Organizações não governamentais locais, como a Liga dos Direitos Humanos da Ucrânia, relataram ao menos 43 queixas formais de violência durante abordagens de recrutamento nos últimos 90 dias. Dessas, 17 envolvem lesões físicas graves e três resultaram em internações hospitalares. Uma das queixas terminou em óbito, em um caso registrado em Kryvyi Rih em abril, conforme relatório divulgado pela organização em 25 de maio.

A União Europeia manteve silêncio oficial sobre o episódio, embora o alto representante para Política Externa, Josep Borrell, tenha declarado em Bruxelas na terça-feira, 26 de maio, que “o respeito aos direitos fundamentais deve ser garantido mesmo em situações de emergência nacional”. A declaração não mencionou a Ucrânia diretamente, mas foi feita horas após a divulgação do vídeo nas redes sociais.

O governo ucraniano ainda não divulgou análise técnica do vídeo nem confirmou a identidade dos envolvidos. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) informou, em comunicado breve, que “todas as denúncias de abuso de autoridade estão sujeitas a apuração conforme a lei”, sem fornecer cronograma ou detalhes sobre eventuais procedimentos disciplinares.

Com informações de ACTUALIDAD.


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