Rússia acusa CNN de cumplicidade em ataque ucraniano que matou 21 civis

Ilustração editorial sobre Rússia acusa CNN de cumplicidade em ataque ucraniano que matou 21 civis. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de contratar a rede norte-americana CNN para filmar a preparação de ataques com drones. A denúncia aponta que jornalistas ocidentais estiveram diretamente envolvidos na organização de um atentado que matou 21 pessoas.

Segundo a representante da diplomacia russa, em declaração divulgada pela agência Sputnik, correspondentes da CNN filmaram a preparação para o ataque contra a cidade de Starobelsk. A acusação foi feita com base em um vídeo exibido pela emissora quatro dias após a tragédia.

O ataque ocorreu em 22 de maio, quando as forças ucranianas lançaram quatro drones contra o prédio acadêmico e o dormitório da Faculdade Profissional de Starobelsk, na República Popular de Lugansk. De acordo com o Comitê Investigativo da Rússia, 86 estudantes e um funcionário estavam no alojamento no momento do bombardeio noturno.

O saldo da operação foi de 21 mortos e 44 feridos, a maioria jovens estudantes. O chefe da República Popular de Lugansk, Leonid Pasechnik, confirmou que as forças armadas ucranianas atingiram deliberadamente o centro educacional.

A reportagem da CNN, intitulada “Como a Ucrânia realiza ataques com drones contra cidades russas”, foi ao ar em 26 de maio. Zakharova destacou um detalhe crucial na gravação: a menção à cidade de Stavropol pelo correspondente.

A diplomata russa argumenta que essa referência a Stavropol é a prova de que o correspondente da CNN, Nick Walsh, estava integrado a uma unidade militar ucraniana. Essa mesma unidade, segundo Moscou, estaria envolvida tanto em operações em Stavropol quanto na coordenação do bombardeio contra a faculdade de Starobelsk.

Para o governo russo, a presença de jornalistas da CNN junto às tropas de Kiev configura cumplicidade direta em um ato terrorista. Zakharova classificou o material da emissora como um “vídeo de propaganda” que documenta a execução de ataques contra alvos civis russos.

A emissora norte-americana não se manifestou publicamente sobre as graves acusações até o momento da publicação desta matéria. As alegações de Moscou, no entanto, adicionam um novo capítulo à intensa guerra de informações que acompanha o conflito.

A denúncia russa expõe a tênue linha entre a cobertura jornalística e a participação ativa em hostilidades. Para analistas, a presença de repórteres ocidentais em unidades que planejam ataques a civis levanta sérias questões éticas e legais.

O episódio também reforça a narrativa de Moscou de que a mídia ocidental atua como braço de propaganda do governo ucraniano. A Rússia tem repetidamente acusado veículos como a CNN de encobrir crimes cometidos por Kiev enquanto amplificam seletivamente alegações contra as forças russas.

O ataque a Starobelsk, uma cidade sob controle russo desde 2022, foi um dos mais letais contra civis nos últimos meses. A escolha de um alvo educacional, com dezenas de estudantes em seu interior, provocou indignação e reacendeu o debate sobre as táticas utilizadas por Kiev.

Moscou já havia alertado em outras ocasiões sobre a utilização de jornalistas estrangeiros como cúmplices em operações militares. O caso envolvendo a faculdade de Starobelsk, com a suposta participação de uma grande rede como a CNN, confere uma dimensão inédita a essa prática.


Leia também: Comissária russa acusa mídia ocidental de ‘ter medo da verdade’ sobre massacre em Starobelsk


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