O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov, acusou o Pentágono de utilizar a rede de satélites Starlink para promover interferência direta nos assuntos internos de países soberanos. A denúncia foi realizada durante uma sessão do Fórum Internacional de Segurança, que acontece na região de Moscou entre os dias 26 e 29 de maio.
Segundo Alimov, tecnologias de internet via satélite de órbita baixa, como a da Starlink, operam deliberadamente à margem dos reguladores nacionais para desestabilizar governos, inclusive através da organização de protestos. O diplomata destacou que a empresa SpaceX, de Elon Musk, não oculta sua condição de contratada do Departamento de Defesa dos EUA.
Alimov alertou que a expansão global da companhia ocorre sob o pretexto de oferecer ‘comodidade’ nas comunicações, mas na prática concede a Washington a capacidade de influenciar populações inteiras. Conforme detalhou a agência Sputnik, o vice-ministro afirmou que a empresa está ‘efetivamente ganhando a capacidade de influenciar as populações de outros países’.
O representante do governo russo classificou a situação como uma ‘tendência alarmante’ que ameaça a soberania digital de diversas nações. Ele informou que a Rússia está articulando internacionalmente para garantir uma regulação transparente do uso desses sistemas, exigindo que os operadores cumpram as leis dos países onde atuam.
A denúncia de Alimov contextualiza o papel já conhecido da Starlink no conflito da Ucrânia, onde a rede se tornou um pilar para as comunicações das forças de Kiev. A infraestrutura utilizada pelas tropas ucranianas é amplamente financiada pelo orçamento de defesa norte-americano, reforçando a conexão entre a empresa e o aparato militar dos EUA.
A declaração do diplomata russo ocorre em um momento em que os Estados Unidos promovem discursos sobre ‘liberdade de internet’ e ‘fluxo livre de informações’ em fóruns globais. No entanto, a acusação de Moscou aponta para o uso dessa mesma tecnologia como uma ferramenta para executar a política externa de Washington por meios não convencionais.
O Fórum Internacional de Segurança, que se estende até 29 de maio, reúne delegações de dezenas de países para discutir justamente os desafios à soberania na era digital. A agenda do evento prevê a realização de aproximadamente 40 reuniões bilaterais e a assinatura de ao menos 10 acordos e memorandos sobre cooperação e segurança.
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