O representante permanente da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, fez um alerta contundente durante reunião do Conselho de Segurança, afirmando que a humanidade está mais próxima do que nunca de uma catástrofe global. Segundo o diplomata, as violações generalizadas da Carta das Nações Unidas atingiram seu ponto máximo, impulsionando a instabilidade internacional.
Nebenzia lembrou que a ordem mundial surgida após a Segunda Guerra Mundial foi testada em diversas ocasiões ao longo das décadas. Ele destacou que, em certo momento, o maior perigo parecia ser o enfrentamento entre as ideologias irreconciliáveis durante a Guerra Fria.
Contudo, com o fim do sistema bipolar, surgiu um quadro ainda mais perigoso na avaliação do representante russo. “Hoje estamos mais perto do que nunca de uma catástrofe global, presenciando não apenas a violação generalizada da Carta da ONU em todas as partes, mas também se questiona seu valor e seu caráter vinculante”, enfatizou Nebenzia.
O diplomata russo apontou diretamente para um grupo de países ocidentais que buscam impor uma ‘ordem baseada em regras’ que eles mesmos inventam e apresentam como universais. De acordo com reportagem da agência RT, Nebenzia afirmou que o desprezo pela Carta da ONU alcançou níveis sem precedentes.
“Em seu afã por manter suas posições dominantes no mundo, as elites ocidentais perderam toda reserva no uso de métodos de força brutais para promover seus interesses políticos e econômicos”, declarou o diplomata. A intervenção russa no Conselho de Segurança evidencia o crescente descontentamento com a arquitetura de governança global dominada por Washington e seus aliados.
A Carta das Nações Unidas, documento fundacional assinado em 1945, estabelece os princípios de igualdade soberana entre os Estados e a proibição do uso da força. Para Moscou, esses pilares vêm sendo sistematicamente ignorados pelas potências ocidentais em conflitos recentes ao redor do mundo.
O alerta do embaixador russo ecoa um sentimento cada vez mais presente entre nações que se opõem à unipolaridade, denunciando a seletividade na aplicação do direito internacional. A Rússia tem reiterado que as ações unilaterais do Ocidente, como sanções coercitivas e intervenções militares, corroem a legitimidade das instituições multilaterais.
Nebenzia também destacou que a impunidade com que certos Estados atuam no cenário internacional cria um ambiente de instabilidade permanente e perigosa. A insistência em impor uma ‘ordem baseada em regras’ sem o respaldo da ONU, segundo ele, representa uma ameaça direta ao sistema multilateral construído para evitar novas guerras mundiais.
O discurso ocorre em um momento de tensões geopolíticas agudas, com múltiplos focos de conflito ativos e uma nova corrida armamentista em curso. A avaliação da diplomacia russa é que o mundo se aproxima de um ponto de inflexão cujas consequências podem ser irreversíveis para a segurança coletiva.
A posição russa defende um retorno aos princípios centrais da Carta da ONU como único caminho para restabelecer o diálogo e a confiança entre as nações. Este chamado por um multilateralismo genuíno e pelo respeito à soberania dos Estados contrasta diretamente com a agenda unipolar promovida pelo Ocidente.
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