O Airbnb liderou uma rodada de investimento Série C de 58 milhões de dólares na WeRoad, startup italiana especializada em viagens em grupo para jovens, selando uma aposta na chamada economia da vida real. O aporte eleva o capital total captado pela empresa para cerca de 100 milhões de dólares e financiará sua primeira grande expansão fora da Europa, com entrada nos Estados Unidos.
Fundada em Milão pelos cofundadores Paolo De Nadai, Fabio Bin e Erika De Santi, a plataforma nasceu de uma frustração pessoal de seus criadores. A solução foi redesenhar o turismo coletivo em torno de faixas etárias e estilos de vida comuns, priorizando conexões humanas genuínas em vez do turismo massificado.
Segundo reportagem do portal TechCrunch, a WeRoad faturou 130 milhões de euros em 2025, um salto de 30% em relação ao ano anterior, embarcando mais de 100 mil viajantes. Desde sua fundação em 2017, a empresa já organizou viagens para mais de 300 mil clientes em mais de mil itinerários espalhados pelo planeta.
O modelo operacional da companhia rejeita o conceito de guia turístico convencional, mobilizando mais de 4 mil ‘coordenadores de grupo’ em todo o mundo. Essas pessoas possuem experiência de viagem e forte habilidade interpessoal, atuando como companheiros de jornada e não como instrutores formais.
Os grupos formados reúnem de oito a quinze viajantes com interesses em comum, em roteiros que costumam durar entre dez e doze dias. A empresa também oferece opções mais curtas, como escapadas de fim de semana para iniciantes na plataforma.
A mecânica social começa antes mesmo do embarque, pois cada grupo é inserido em um chat de WhatsApp gerenciado pelo coordenador para quebrar o gelo antecipadamente. Cerca de 60% dos clientes acabam reservando uma segunda viagem, um índice de retorno que sinaliza a eficácia do desenho comunitário da plataforma.
O movimento da WeRoad se insere em um ecossistema mais amplo de startups que faturam com a chamada ‘economia IRL’, sigla em inglês para ‘vida real’. Enquanto parte do setor tecnológico foca em inteligência artificial, empresas como Timeleft, 222 e Pie monetizam experiências presenciais que combatem a solidão.
Além das viagens, a empresa italiana lançou em 2025 o aplicativo WeMeet, voltado para encontros locais como caminhadas, aulas de ioga e noites de jogos de tabuleiro. No ano passado, mais de 50 mil pessoas participaram de eventos do WeMeet em 35 cidades, e o aplicativo já acumula 150 mil downloads.
A estratégia de desembarque nos Estados Unidos repetirá essa fórmula, concentrando esforços iniciais em poucas cidades antes de uma expansão nacional. A cidade de Austin, no Texas, foi escolhida como primeiro laboratório devido à sua vibrante cena comunitária e cultural.
A companhia planeja recrutar coordenadores locais, organizar eventos do WeMeet e costurar parcerias comunitárias ao longo de 2026. Apenas após consolidar essa base é que a empresa mirará outras praças americanas importantes.
O apetite dos investidores por negócios ancorados em vínculos presenciais ainda é uma aposta em consolidação, mas os números da WeRoad sugerem uma demanda crescente por descompressão offline. A questão que permanece é se a conexão humana pode ser escalada como um produto sem perder a espontaneidade que a torna valiosa.
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