Telescópio gigante de Magalhães pode captar primeira imagem de exoplaneta similar à Terra

Interior do Telescópio Gigante de Magalhães, com seus espelhos principais em destaque. (Foto: olhardigital.com.br)

O Telescópio Gigante de Magalhães, em construção no Deserto do Atacama, no Chile, promete revolucionar a busca por vida fora do Sistema Solar. O equipamento tentará obter a primeira imagem direta de um exoplaneta com tamanho e temperatura similares aos da Terra.

O projeto é liderado por um consórcio de 16 institutos de pesquisa de sete países. Contará com um espelho primário de 25,4 metros de diâmetro, formado por sete segmentos circulares, que entregará resolução dez vezes superior à do telescópio Hubble.

A chave para esse avanço é o instrumento GMagAO-X, um sistema de óptica adaptativa extrema. Utiliza 21 mil atuadores que ajustam a forma do espelho mais de duas mil vezes por segundo para corrigir a turbulência atmosférica em tempo real.

O sistema também possui um coronógrafo sofisticado que bloqueia a luz ofuscante das estrelas. Isso permitirá ao telescópio captar apenas a luz refletida pelos planetas que as orbitam, conforme explicou a cientista-chefe do Magalhães, Rebecca Bernstein, ao Olhar Digital.

Bernstein destacou que o GMagAO-X proporciona resolução superior à do próprio telescópio. A tecnologia permitirá observar planetas orbitando estrelas e capturar imagens diretas de planetas frios do tamanho da Terra, algo inédito na astronomia moderna.

O telescópio contará ainda com o espectrógrafo G-CLEF. O instrumento medirá as massas desses mundos e analisará a composição química de suas atmosferas, complementando a busca por bioassinaturas como oxigênio.

A expectativa é que o GMT obtenha sua primeira luz no início dos anos 2030. Enquanto isso, outras missões avançam, como a sonda PLATO, da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para o início de 2027.

A PLATO identificará novos exoplanetas com massa e tamanho terrestres em órbitas semelhantes à da Terra. Maximilian Günther, da ESA, afirmou que a missão trará uma mudança de paradigma ao revelar planetas hoje inacessíveis aos instrumentos atuais.

A sonda ARIEL, com lançamento planejado para 2031, estudará as atmosferas desses mundos em detalhes. As análises abrirão caminho para estudos complementares com telescópios terrestres como o Magalhães.

Novas descobertas também são esperadas a partir da reanálise de dados do satélite TESS, da NASA. Joshua Roth, da Universidade de Princeton, destacou que a comunidade vive uma transição para pesquisas demográficas em larga escala.

Os sete espelhos primários do GMT já foram fundidos e vários instrumentos estão em estágio avançado de desenvolvimento. A equipe enfrentará uma revisão final durante o verão de 2027 e demonstra confiança na aprovação para iniciar as operações.


Leia também: Nasa revela milhares de mundos alienígenas na galáxia


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