Uma equipe internacional liderada pela Universidade de Birmingham descobriu que a atividade magnética do Sol está sendo comprimida para uma camada cada vez mais rasa, localizada a menos de mil quilômetros abaixo da superfície visível. A pesquisa, que analisou os últimos quatro ciclos solares, indica que o astro pode estar entrando em um novo padrão de comportamento magnético.
O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e representa o primeiro registro de uma mudança estrutural sistemática no interior solar ao longo de décadas. Os cientistas utilizaram a heliosismologia, técnica que monitora minúsculas ondas sonoras que percorrem o interior do Sol, para mapear regiões inacessíveis à observação direta.
De acordo com o portal Phys.org, a atividade solar oscila em ciclos de aproximadamente 11 anos, produzindo erupções, ejeções de massa coronal e partículas altamente carregadas que geram o clima espacial. Esses fenômenos podem danificar satélites, interromper comunicações, prejudicar sistemas de GPS e até derrubar redes elétricas na Terra, tornando essencial a compreensão dos mecanismos que impulsionam o ciclo solar.
O professor Bill Chaplin, astrofísico da Universidade de Birmingham e principal autor do estudo, explicou que o Sol possui um biorritmo ativo que gera a atividade magnética responsável por moldar o clima espacial. As medições tradicionais de superfície, porém, não capturam a história completa, e a heliosismologia preenche essa lacuna ao revelar transformações que ocorrem ao longo de décadas.
Os pesquisadores analisaram as oscilações do tipo p — ondas sonoras globais aprisionadas no interior solar — cujas frequências se alteram em resposta à atividade magnética. Agrupando essas oscilações em bandas de frequência baixa, média e alta, a equipe conseguiu sondar diferentes profundidades e comparar os deslocamentos de frequência com os indicadores tradicionais de atividade solar.
As conclusões apontam três evidências centrais: a relação entre as oscilações internas e as medidas de superfície mudou significativamente desde o Ciclo 23, indicando evolução de longo prazo nos processos internos do Sol. O comportamento combinado das bandas de frequência também mostra que as mudanças estruturais impulsionadas pelo ciclo solar estão se restringindo às camadas superficiais, a menos de mil quilômetros de profundidade.
A professora Sarbani Basu, da Universidade de Yale e coautora da pesquisa, destacou que a tendência identificada não pode ser explicada apenas por campos magnéticos mais fracos. Os dados sugerem uma reorganização estrutural na forma como a atividade magnética solar é armazenada abaixo da superfície visível.
O estudo revelou ainda que o atual Ciclo 25 parece mais fraco nos indicadores tradicionais de superfície, mas comparativamente forte quando analisado por meio dos dados heliosísmicos de alta frequência. Essa discrepância reforça a necessidade de reinterpretar a força dos ciclos solares e de continuar monitorando o interior do astro com ferramentas como a rede BiSON, que acumula quase 40 anos de observações ininterruptas.
A coleta e análise contínuas dos dados solares ao longo do restante do Ciclo 25 e do próximo Ciclo 26 serão cruciais para determinar se as mudanças detectadas representam uma transformação duradoura no comportamento magnético do Sol. O trabalho contou com a colaboração de instituições internacionais dedicadas à física solar.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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