Pesquisa publicada na revista Nature por equipe internacional de cientistas demonstra que a remoção temporária de carbono da atmosfera desempenha papel válido no combate às mudanças climáticas. O estudo, divulgado pelo portal Phys.org, comprova que esse método é eficaz para compensar poluentes climáticos de vida curta, como o metano.
A remoção de dióxido de carbono é considerada essencial para atingir as metas do Acordo de Paris. Contudo, a maioria dos métodos atuais armazena carbono apenas temporariamente, o que gerava incertezas sobre sua aplicação em políticas climáticas e mercados de carbono.
O estudo foi conduzido por cientistas do IIASA, da Universidade de Pequim, da Academia Chinesa de Ciências, da Universidade de Maryland e do Laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente da França. Os pesquisadores desenvolveram um arcabouço baseado na física para utilizar a remoção temporária de carbono na compensação de poluentes de vida curta.
Os cálculos estabelecem relações de compensação estáveis. Para neutralizar o impacto climático de um quilograma de metano, seria necessário remover cerca de 498 quilos de CO2 armazenados por 20 anos em bioplásticos. Alternativamente, 101 quilos armazenados por 100 anos em materiais de construção de madeira durável também seriam suficientes.
Yue He, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Pequim, explicou que a equipe buscou responder uma questão fundamental. A remoção temporária não pode compensar o CO2, mas o que ela pode compensar de forma legítima?
Thomas Gasser, coautor e pesquisador sênior do IIASA, destacou que nem todos os gases de efeito estufa se comportam da mesma maneira. Segundo ele, o armazenamento temporário de carbono possui valor climático real quando combinado com o tipo adequado de emissões.
Keywan Riahi, diretor do Programa de Energia, Clima e Meio Ambiente do IIASA, ressaltou que a pesquisa define um papel legítimo e quantificável para a remoção temporária de carbono. Ele defendeu que, em vez de forçar essa técnica a se encaixar em modelos projetados para soluções permanentes, é possível utilizá-la de forma cientificamente fundamentada.
As conclusões têm implicações significativas para setores onde reduzir emissões é desafiador, especialmente na agricultura. Países com grandes rebanhos, como Brasil e Nova Zelândia, enfrentam emissões persistentes de metano, difíceis de eliminar completamente.
Para implementar essa abordagem, os pesquisadores propõem que os sistemas de contabilidade climática adotem um modelo de dois cestos. Esse modelo trataria separadamente poluentes de vida curta e de vida longa, respeitando suas diferenças fundamentais na atmosfera.
Os autores enfatizam que a remoção temporária de carbono deve complementar, e não substituir, as reduções diretas de emissões onde forem viáveis. O estudo representa avanço significativo ao estabelecer um caminho físico e contábil para que tecnologias de armazenamento temporário contribuam efetivamente para a estabilização do clima global.
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