Herança neandertal influencia imunidade humana

Ilustração editorial sobre Herança neandertal enfraquece defesas contra vírus de DNA comuns, revela estudo. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma nova pesquisa genética revelou que a herança neandertal presente no DNA de humanos modernos pode enfraquecer as defesas imunológicas contra vírus de DNA comuns. O estudo, publicado na revista Genome Biology and Evolution e detalhado em reportagem do Phys.org, analisou dados do UK Biobank.

Os pesquisadores identificaram associações entre variantes arcaicas e cargas virais mais elevadas de patógenos como o Epstein-Barr. Cerca de 2% do genoma de pessoas de ascendência não africana é composto por DNA neandertal, fruto de cruzamentos ocorridos há dezenas de milhares de anos.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que essa herança genética oferece benefícios na defesa contra vírus de RNA. No entanto, o novo trabalho mostra que o efeito sobre vírus de DNA é oposto.

Os cientistas encontraram múltiplas associações entre o DNA arcaico e a carga viral do Epstein-Barr, do Herpesvírus Humano 7 e de anellovírus da família Teno. As variantes neandertais estavam desproporcionalmente ligadas a cargas virais mais altas, indicando uma resposta imunológica menos eficiente.

Leia também: DNA da caverna Stajnia revela o grupo mais antigo de neandertais da Europa Central

Michael Dannemann, coautor do estudo, afirmou que as variantes derivadas dos neandertais podem não fornecer defesa eficaz contra vários vírus de DNA nas populações atuais. Ele destacou que isso contrasta com os efeitos benéficos já relatados para a imunidade contra vírus de RNA.

Os pesquisadores ressaltam que esses efeitos negativos não significam que as mesmas variantes fossem prejudiciais aos neandertais. Como os vírus evoluem rapidamente, o cenário patogênico enfrentado por eles era radicalmente diferente do atual.

Dannemann observou que uma variante que reduzia a carga viral no passado pode aumentá-la hoje. A equipe identificou regiões genômicas com variantes arcaicas que mostram mudanças na pressão seletiva ao longo do tempo.

O estudo evidencia que a ancestralidade genética arcaica continua a influenciar a resposta imune humana de maneiras sutis. A interação entre genes herdados de parentes extintos e patógenos modernos varia conforme a classe do vírus, destacando a complexidade da evolução humana.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.