Negacionistas do massacre de Gwangju ainda buscam conforto em trama do Norte

Negacionistas do massacre de Gwangju ainda buscam conforto em trama do Norte

Um artigo originalmente publicado em 18 de maio de 2021 foi republicado cinco anos depois com pequenas atualizações, segundo a fonte.

Mais de uma semana antes de tropas sul-coreanas de elite serem enviadas para reprimir protestos pró-democracia na cidade de Gwangju, no sudoeste do país, os conspiradores do golpe militar e seus aliados civis já buscavam culpar a Coreia do Norte pelos problemas que eles próprios causavam, segundo o texto.

Em 10 de maio de 1980, o então primeiro-ministro Shin Hyon-hwack disse a jornalistas sul-coreanos que um aliado próximo havia informado ao governo que o Eight Army Corps da Coreia do Norte, treinado para infiltração, estava fora do alcance da vigilância de inteligência há algum tempo.

Shin sugeriu que a unidade poderia aparecer na Coreia do Sul, talvez entre 15 e 20 de maio. O autor do artigo estabeleceu que a afirmação de Shin era mentira e reportou essa descoberta no Baltimore Sun na manhã seguinte, sob a manchete sarcástica “Where is the Large North Korean Army Unit?”

Segundo a fonte, décadas depois, o esforço da direita continua e até se acelerou, com o surgimento nos últimos anos de novas teorias conspiratórias para vincular infiltrados norte-coreanos aos exemplos mais horríveis de brutalidade durante os 10 dias (18 a 27 de maio) que abalaram Gwangju.

Um conhecido antigo do autor fala de ações em Gwangju que seriam difíceis para insurrecionistas civis improvisados realizarem porque “require lots of intelligence, planning, training, and execution by well-trained personnel.”

Essa pessoa destaca a habilidade de dirigir veículos motorizados. “Many Koreans didn’t know how to drive back then. Hardly anyone owned cars.” No entanto, durante uma campanha de resistência focada em roubar e conduzir contra os soldados grandes veículos blindados, ônibus grandes e caminhões militares, provaram existir muitos que sabiam dirigir.

Os manifestantes roubaram 779 veículos, incluindo 328 da Asia Motors e de outros lugares 34 veículos militares, 50 veículos policiais e 367 veículos regulares, segundo a fonte. Com esses veículos, eles entraram em confronto com o exército e expulsaram as forças governamentais da cidade temporariamente.

O autor não considerou o argumento convincente, em primeiro lugar porque Gwangju começou apenas como um protesto estudantil. À medida que progredia, pessoas um pouco mais velhas se envolveram mais profundamente na liderança e na luta pela resistência. Muitos deles eram trabalhadores operários.

A Coreia do Sul exigia que a maioria dos jovens servisse três anos nas forças armadas. Segundo o texto, por que alguns daqueles que se tornaram rebeldes após o serviço militar não poderiam ter aprendido a dirigir esses veículos? Gwangju era o centro sul-coreano de produção de tais veículos.

O autor consultou um livro sobre o levante e foi lembrado de que Park Nam-sun, o chefe da força de combate popular local que capturou e implantou esses veículos, era um trabalhador de transporte de 26 anos. Park tinha que conhecer muitas pessoas capazes de dirigir os veículos, segundo a fonte.

Ainda assim, segundo o texto, é possível apontar pontas soltas e especular que agentes norte-coreanos bem treinados estavam presentes e assumiram papéis no levante.

Outro conservador coreano sugere que o autor se coloque no lugar do então governante norte-coreano Kim Il Sung, que ainda sofria com o fracasso de sua invasão do Sul em 1950.

O autor concorda que é lógico presumir que Kim teria garantido que houvesse alguns norte-coreanos em Gwangju, segundo o texto. No movimento estudantil sul-coreano da época havia uma facção pró-Coreia do Norte, representada nos eventos em Gwangju em 1980.

Para o autor, não parece impossível que a facção tivesse trabalhado ao lado de quaisquer agentes de Pyongyang durante os 10 dias, talvez em missões como tentativas de fuga de prisões.

Fonte: Asia Times

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