Os ministros das Relações Exteriores de Índia, Japão e Austrália posaram ao lado do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para a fotografia oficial no encontro em Nova Délhi. A linguagem corporal rígida e a ausência de sorrisos, exceto pelo chanceler indiano S. Jaishankar, revelaram o estado atual do Diálogo Quadrilateral de Segurança, conhecido como Quad.
Analistas da região afirmam que a coalizão perdeu força acelerada desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025. Washington redirecionou seu foco estratégico da Ásia-Pacífico para o Hemisfério Ocidental e o Oriente Médio, deslocando sua armada para outras prioridades.
A reaproximação entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, avançou com acordos comerciais e uma visita de alto nível. Esses desdobramentos abalaram os países do Quad e levantaram dúvidas sobre o futuro da aliança. A analista do Instituto Japonês de Assuntos Internacionais, Umi Ariga, descreveu o encontro de Nova Délhi como controle de danos em declaração ao portal Al Jazeera.
O Quad enfrenta problemas estruturais além de cúpulas isoladas. A aliança é informal, sem tratado, secretariado permanente ou compromissos vinculantes de defesa mútua. Nenhuma cúpula de líderes ocorreu em 2025, Trump jamais participou de uma, e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, também não.
Para Ariga, o grupo ficou sem liderança no nível máximo por mais de um ano. Iniciativas em vacinas, tecnologias críticas e monitoramento marítimo são úteis, mas não ocultam a falta de vontade política coletiva. A marginalização do Quad ficou evidente na Estratégia de Segurança Nacional de Trump, que mencionou a aliança apenas de passagem.
O analista político baseado em Pequim, Einar Tangen, afirmou que a China deixou de ver o Quad como uma coalizão unificada anti-China. Pequim agora entende que se trata de um alinhamento estruturalmente desigual. A China duvida se os quatro países compartilham a mesma visão estratégica de longo prazo ou nível de compromisso, segundo Tangen.
A cúpula Trump-Xi revelou assimetria diplomática. Washington buscou convencer seus parceiros de que não abandonou o Indo-Pacífico, mas a China ofereceu apenas cerimônia e simbolismo. Marco Rubio foi enviado para tranquilizar Índia, Japão e Austrália sobre a relevância do Quad.
O Japão respondeu à incerteza acelerando seu fortalecimento militar. O orçamento de defesa subiu 9,4% no ano fiscal de 2026, atingindo 2% do PIB dois anos antes do previsto. Tóquio aprofundou parcerias de segurança com Austrália, Filipinas e Reino Unido por meio do Programa Global de Combate Aéreo.
A Índia interpretou a cúpula Trump-Xi como sinal de que Washington pode negociar diretamente com Pequim. Nova Délhi absorve os custos do equilíbrio regional enquanto os EUA mantêm engajamento com o Paquistão. Suspeitas de interferência política americana reforçam o instinto indiano de autonomia estratégica.
A Austrália enfrenta tensões com Washington, incluindo tarifas comerciais e disputas siderúrgicas. Da perspectiva chinesa, isso demonstra que os EUA tratam aliados por uma lente econômica transacional, pressionando-os enquanto exigem riscos estratégicos contra a China.
Tangen identificou a vulnerabilidade central do Quad. Cada membro calcula se participa de uma coalizão estratégica duradoura ou serve apenas como peça de barganha nas negociações de Washington com Pequim. A guinada americana rumo à China e ao Oriente Médio acelerou a erosão do grupo, deixando os aliados asiáticos em busca de alternativas.
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