O surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo, se agrava enquanto centros de pesquisa ficam impedidos de atuar no terreno.
O governo dos EUA, sob Donald Trump, cortou o financiamento da Rede de Centros de Pesquisa em Doenças Infecciosas Emergentes (CREID) em junho de 2025. A decisão alegou que as pesquisas eram inseguras para os americanos, apesar de focarem em preparação para pandemias.
O virologista Kristian Andersen, da Scripps Research, liderava um dos centros CREID na África Ocidental. Ele desenvolveu diagnósticos e sequenciamento genômico do Ebola em surtos anteriores, mas agora não tem mais financiamento do NIH para continuar o trabalho.
Andersen acompanha o surto atual à distância, sem poder oferecer suporte com testes ou sequenciamento. Ele afirmou que a rede CREID teria se mobilizado rapidamente para conter a propagação do vírus.
Robert Garry, da Tulane Medical School, reforçou que os centros desenvolviam reagentes e testes diagnósticos essenciais. Segundo reportagem da Wired, esses insumos estão em falta no Congo.
O surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual os testes específicos são escassos. As autoridades de saúde falharam em detectar infecções precoces porque os testes disponíveis eram para a cepa Zaire, mais comum em surtos anteriores.
A rede CREID foi alvo de teorias conspiratórias ligadas à Covid-19, promovidas por Trump e parlamentares republicanos. Um dos centros era operado pela EcoHealth Alliance, organização atacada por supostos vínculos com o Instituto de Virologia de Wuhan.
O Departamento de Saúde dos EUA barrou a EcoHealth de receber verbas públicas em janeiro de 2025. A decisão citou esses vínculos como justificativa para cortar o financiamento.
M. Kariuki Njenga, da Universidade Estadual de Washington, liderava o centro CREID na África Oriental e Central. Ele afirmou que sua equipe teria participado da resposta atual, já que mantinha estudos ativos na região.
Em 2022, Uganda conteve um surto de Ebola em quatro meses graças à detecção rápida e ao rastreamento de contatos. O surto atual já soma mil casos suspeitos e 238 mortes na RDC, além de sete casos confirmados em Uganda, incluindo um óbito.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a epidemia está se espalhando mais rápido que a resposta. Ele pediu ampliação urgente das operações durante reunião da União Africana.
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