Alemanha critica duramente plano de Israel de controlar 70% de Gaza

Criança caminha por rua destruída em Gaza, com escombros ao redor. (Foto: aljazeera.com)

O governo da Alemanha manifestou preocupação com os planos de Israel de estender o controle militar sobre 70% da Faixa de Gaza, ameaçando a trégua negociada em outubro. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão afirmou que Berlim se opõe a qualquer divisão permanente do território palestino.

A declaração foi uma reação à ordem do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para que as Forças de Defesa de Israel ampliassem o domínio sobre Gaza. A área controlada já havia passado de 50% para 60% e Netanyahu sugeriu que poderia ultrapassar 70%, descrevendo a medida como pressão sobre o Hamas.

Segundo reportagem da Al Jazeera, a expansão israelense viola os termos do cessar-fogo mediado por Estados Unidos, Catar e Turquia. O acordo previa a retirada das tropas para trás da chamada Linha Amarela, mas Israel expandiu sua presença militar enquanto prosseguem confrontos com o Hamas.

A medida agrava a situação dos 2,3 milhões de palestinos em Gaza, já confinados a cerca de 30% do território. A Alemanha, um dos principais aliados de Israel e segundo maior fornecedor de armas depois dos EUA, vem endurecendo o discurso nos últimos meses, criticando a anexação de terras na Cisjordânia e a aplicação de pena de morte exclusivamente a palestinos.

Netanyahu, que enfrenta eleições parlamentares em outubro, justificou a expansão como estratégia contra o Hamas. Analistas, porém, apontam motivação política. Gareth Dale, da Universidade Brunel, afirmou à Al Jazeera que a medida representa uma violação flagrante do cessar-fogo e impõe nova rodada de sofrimento aos civis.

Relatório recente da ONU e da União Europeia estimou que serão necessários mais de 70 bilhões de dólares para reconstruir Gaza. Mais da metade dos hospitais não funciona e praticamente todas as escolas foram destruídas ou danificadas. Nesta semana, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que estão em curso esforços para incentivar a emigração voluntária de palestinos.

Críticos classificam a expressão como eufemismo diante de quase três anos de operações militares que tornaram o território inabitável. Na sexta-feira, Israel anunciou a morte do comandante sênior do Hamas Imad Hassan Hussein Aslim em ataque ocorrido no início da semana, mas o grupo palestino não se manifestou.

A ocupação progressiva de Gaza, ignorando o acordo de cessar-fogo, aprofunda o receio de que o governo de Netanyahu busque anexar permanentemente vastas porções do território.


Leia também: Alemanha suspende exportações de armas para Israel que poderiam ser usadas em Gaza enquanto cresce o clamor global


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.