A empresária Isabela Raposeiras, proprietária do Coffee Lab, adotou a escala 4×3 para seus 32 funcionários há cerca de um ano. Os resultados foram imediatos: faturamento cresceu 35%, faltas caíram e a rotatividade diminuiu.
Em entrevista à Carta Capital, Raposeiras afirmou que o descanso de três dias melhorou a saúde das relações de trabalho. A equipe passou a atender com mais agilidade, cometer menos erros e elevar a satisfação dos clientes, sem reajustar preços.
Dados do Ministério do Trabalho compilados pelo Dieese mostram que 33,2% dos vínculos formais em jornada de 44 horas ainda operam na escala 6×1. No setor de hospitalidade e alimentação, esse percentual chegava a 87% em 2024, concentrando a sobrecarga em trabalhadores do atendimento direto.
Raposeiras defende que a transição para o 5×2 pode ser feita sem novas contratações. Ela explica que muitas empresas precisam apenas organizar processos internos que já deveriam estar resolvidos, mas eram compensados com sobrecarga de mão de obra.
A consultora de pequenos negócios no ramo de alimentos afirma ter ajudado dezenas de empresas com três ou quatro funcionários a operar em escala 5×2. Ela destaca que, se o setor de alimentação consegue, qualquer outro também pode.
Raposeiras criticou o discurso do empreendedorismo como eufemismo para precarização. Segundo ela, o termo muitas vezes mascara condições de trabalho exaustivas, onde motoristas de aplicativo e entregadores recebem menos por hora que um trabalhador celetista, sem benefícios.
A empresária elogiou a geração Z por trazer demandas de respeito e qualidade de vida para as relações de trabalho. Ela ressaltou que as empresas que lucram de fato são aquelas que exploram a mão de obra, não os trabalhadores.
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