Gestão de Caiado pagou R$ 209 milhões a grupo ligado ao PCC

Ilustração editorial sobre Gestão de Caiado pagou R$ 209 milhões a grupo ligado ao PCC. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A gestão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pagou ao menos R$ 209 milhões a empresas controladas por um homem acusado de ligação com o Primeiro Comando da Capital.

Os repasses ocorreram entre 2020 e 2026 por meio de uma organização social da área de saúde que contratava fornecedoras vinculadas a Thiago Telles Batista de Souza. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, Telles é o beneficiário final de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC abastecido por tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes.

A operação Falso Mercúrio o teve como alvo em dezembro do ano passado. Na quinta-feira, a investigação teve novos desdobramentos. Apelidado de Tom Cruise, Telles comprava grandes volumes de dinheiro em espécie de intermediários da facção criminosa.

Os valores circulavam fora do alcance do Banco Central e do Coaf, órgão de inteligência financeira. Em Goiás, o dinheiro dos contratos públicos chegava às empresas de Thiago por meio do Instituto de Medicina e Estudos, uma organização social de saúde.

Entre 2019 e 2026, o Imed recebeu R$ 1,4 bilhão do governo estadual. Desse montante, firmas vinculadas a Telles receberam R$ 209 milhões, mais de 10% do valor total pago pelo estado ao Imed.

Dados públicos mostram que uma empresa em nome da advogada Maria Carolina Lazarini Dias, diretora jurídica do Imed, também foi beneficiada. O governador Ronaldo Caiado, hoje pré-candidato ao Planalto, afirmou que autoridades federais deveriam ter informado seu governo sobre as ligações dos fornecedores com narcotraficantes.

A Secretaria de Saúde de Goiás declarou que a contratação de fornecedores pelas organizações sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora. Caiado, conhecido pelo discurso de combate às facções, fez elogios públicos ao Imed e apareceu ao lado de Maria Carolina em eventos oficiais.

Em maio de 2021, durante visita a um hospital administrado pela entidade em Formosa, ele agradeceu à administração do Imed por mostrar que era possível atender bem a população. Thiago Telles e seu sócio Luiz Fernando Donke integravam o comitê gestor do Lide de Campinas até o final do ano passado.

Eles deixaram a instituição por falta de pagamento da anuidade. Em agosto de 2024, o grupo organizou um almoço-debate para Caiado com 120 pessoas, no qual ambos estavam presentes.

A investigação da Polícia Civil paulista aponta que as empresas de Telles não apenas atuavam com lavagem de dinheiro, mas também mantinham contratos com prefeituras e órgãos públicos. Um relatório policial alerta que a presença dessas empresas em contratos públicos representa grave risco institucional.

O documento destaca a possibilidade de desvio de recursos estatais para integração de capitais ilícitos. O Imed afirmou desconhecer as investigações e disse que cada contratação obedece a processo de seleção pública aprovado pelos órgãos de controle.

A organização sustentou que sua relação com os fornecedores e as pessoas mencionadas ocorreu estritamente no âmbito profissional.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.