A crise do caso Dark Horse acaba de ganhar um endereço que joga luz sobre o destino do dinheiro: uma mansão de luxo em Southlake, no Texas, avaliada em cerca de R$ 6 milhões. Segundo reportagem do The Intercept Brasil, é ali que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro vive com a família desde 2025.
O imóvel tem cerca de 500 metros quadrados, cinco quartos, cinco banheiros, piscina e garagem para três carros. Está localizado em Southlake, cidade de alto padrão na região metropolitana de Dallas.
O que transforma o endereço em uma bomba política é a investigação em curso da Polícia Federal. Os agentes apuram se recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, repassados para financiar o filme ‘Dark Horse’, foram desviados para sustentar a estrutura de Eduardo nos Estados Unidos.
O filme ‘Dark Horse’ foi concebido como uma peça de propaganda para reconstruir a imagem de Jair Bolsonaro. Mas o que era para ser um trunfo virou uma dor de cabeça monumental para o clã.
A trilha do dinheiro no Texas
A história começou com um patrocínio milionário negociado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A Folha de S.Paulo revelou que, entre fevereiro e maio de 2025, Vorcaro transferiu R$ 61 milhões a pedido do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Parte desses valores foi parar no Havengate Development Fund, fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo nos EUA. A PF suspeita que o dinheiro serviu para custear a estadia e as atividades de lobby do ex-deputado no país.
Outro detalhe agrava a situação: um fundo ligado a Calixto, o Mercury Legacy Trust, comprou uma casa em Arlington, também no Texas, por R$ 3,6 milhões. Calixto administra tanto o Havengate, que recebeu recursos de Vorcaro, quanto o Mercury, que adquiriu o imóvel.
Eduardo nega qualquer irregularidade. Ele afirma que o Mercury não tem relação com o Havengate, com o filme ou com ele, e que mora em uma casa alugada fora de Arlington.
A reportagem do Intercept, no entanto, mostra que a família vive em Southlake, uma cidade diferente da citada por ele. Isso reacende a pergunta crucial: quem paga o aluguel de uma mansão de R$ 6 milhões e qual a origem dos recursos?
Reação exagerada e exposição pública
A exposição do endereço provocou uma reação extrema de Eduardo. O Metrópoles registrou que ele acionou a polícia americana depois que um repórter do Intercept foi até a casa onde sua família mora.
O jornalista teria tocado a campainha, se identificado e tentado confirmar se a família residia no local. A esposa de Eduardo, Heloísa Bolsonaro, recusou-se a responder e fechou a porta.
O Intercept afirmou que acompanha a situação envolvendo um profissional local contratado para a cobertura e que segue padrões éticos. A tentativa de intimidar a imprensa, no entanto, apenas ampliou a crise e colocou a residência de Southlake sob os holofotes.
A pergunta que antes se restringia a um patrocínio cultural agora se desdobra em uma direção mais grave. Havia dinheiro de Vorcaro sustentando a vida do clã Bolsonaro no exterior?
O estrago eleitoral para Flávio
O pano de fundo do escândalo é a ruína financeira de Daniel Vorcaro, investigado por um rombo bilionário. Sua conexão com o financiamento de ‘Dark Horse’ já abalou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O Financial Times afirmou que a controvérsia ameaça afundar a candidatura do senador, que se apresentava como o principal nome da direita contra o presidente Lula em 2026. Cada novo capítulo torna mais difícil para Flávio sustentar a narrativa de que tudo não passava de uma negociação privada.
A pré-campanha de Flávio já sofria desgaste com a divulgação de áudios e mensagens em que ele cobrava Vorcaro. Agora, a ligação com Eduardo e a mansão no Texas atinge em cheio o núcleo familiar, paralisando qualquer tentativa de virar a página.
Para Eduardo, a pergunta central é direta: quem banca sua estrutura no Texas? Os investigadores devem buscar registros bancários, contratos de aluguel e movimentações dos fundos para rastrear a origem dos recursos.
A mansão de Southlake não é, por si só, prova de crime. Mas, na trilha do caso Dark Horse, ela se tornou um símbolo poderoso: enquanto o filme tentava reescrever a história de Jair Bolsonaro, a investigação agora se dedica a revelar o caminho do dinheiro que bancou seus filhos nos Estados Unidos.
Leia também: PL condiciona apoio a Flávio Bolsonaro à entrega das contas do filme ‘Dark Horse
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