A economia brasileira começou 2026 em expansão e voltou a superar expectativas do mercado.
O Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. O resultado veio acima da projeção de analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam alta de 1,0%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB avançou 1,8%, mantendo a economia em terreno positivo mesmo após um segundo semestre mais fraco no ano passado. O desempenho indica uma retomada de ritmo depois de altas modestas de 0,1% no terceiro trimestre e 0,3% no quarto trimestre de 2025.
O crescimento foi puxado por uma combinação relevante: consumo das famílias, investimento e agropecuária. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,0%, sustentado por mercado de trabalho aquecido, renda em circulação e medidas de estímulo adotadas pelo governo Lula.
A formação bruta de capital fixo, indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos, construção e capacidade produtiva, cresceu 3,5% no trimestre. Esse é um dado importante porque sinaliza que a economia não avançou apenas pelo consumo imediato, mas também por aumento de investimento produtivo.
Pelo lado da oferta, os três grandes setores cresceram. A agropecuária avançou 2,0%, beneficiada pelo desempenho da soja. A indústria subiu 1,0%, com destaque para atividades extrativas. Já os serviços, setor de maior peso no PIB brasileiro, cresceram 0,5%.
O resultado também precisa ser lido dentro de um ciclo mais amplo. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, segundo o IBGE, alcançando R$ 12,7 trilhões em valores correntes. Naquele ano, agropecuária, indústria e serviços também terminaram em alta, com destaque para o crescimento de 11,7% da agropecuária.
A alta de 1,1% no início de 2026 reforça a leitura de que a economia brasileira segue resistente, apesar dos juros elevados, da instabilidade internacional e das pressões provocadas por tarifas comerciais e conflitos geopolíticos.
Politicamente, o dado favorece o governo Lula. O crescimento do PIB, somado a emprego, renda e consumo, entra diretamente na disputa de narrativa sobre 2026. Em um ambiente eleitoral polarizado, a percepção de melhora econômica pode ser decisiva para o humor do eleitorado.
O desafio, porém, continua grande. O Brasil precisa transformar crescimento trimestral em expansão sustentada, com mais investimento, produtividade, indústria forte, crédito acessível e controle da inflação, especialmente dos alimentos.
O número do IBGE mostra que a economia começou o ano com força. Agora, a disputa será sobre a qualidade desse crescimento: se ele ficará concentrado em setores específicos ou se conseguirá se espalhar por empregos melhores, renda real, infraestrutura e capacidade produtiva de longo prazo.
O recado do primeiro trimestre é claro: a economia brasileira não está parada. Cresceu acima do esperado, teve avanço nos três grandes setores e deu ao governo um dado forte para sustentar que o país segue em recuperação.