Um novo estudo científico sugere que o sistema solar pode ter abrigado um quinto planeta gigante, um mundo de gelo que foi expulso para o espaço interestelar há bilhões de anos. A pesquisa, conduzida por uma equipe de cientistas planetários, indica que a presença e posterior ejeção desse planeta perdido foram cruciais para a sobrevivência das luas de Júpiter e Urano durante um período de caos gravitacional.
O cientista planetário da Universidade Johns Hopkins, Matthew Clement, liderou as simulações, publicadas no periódico Icarus. As simulações testaram 122 versões diferentes da infância do sistema solar externo. Segundo o portal Space.com, os resultados mostraram que a sobrevivência das luas nos sistemas joviano e uraniano foi um evento extremamente improvável, ocorrendo em apenas 1% dos cenários.
Há muito se suspeita que a dança gravitacional entre Júpiter, Saturno, Urano e Netuno redefiniu violentamente a arquitetura do sistema solar em seu primeiro bilhão de anos de vida. A questão central para Clement e seus colegas era entender como os satélites naturais desses gigantes conseguiram permanecer intactos enquanto os planetas migravam de suas órbitas originais para suas posições atuais. Dados de crateras e as ressonâncias orbitais das luas de Júpiter indicam que esses corpos são muito antigos, portanto sobreviveram de alguma forma ao turbilhão planetário.
A resposta encontrada pelos pesquisadores reside na presença inicial de um gigante de gelo extra. Nos cenários mais bem-sucedidos, a presença deste quinto planeta alterou o curso da migração dos outros quatro, encurtando o período de instabilidade e evitando que Urano sofresse encontros gravitacionais repetidos que desintegrariam seu sistema de luas. Sem esse planeta adicional, as interações caóticas teriam arremessado os satélites para fora de suas órbitas ou provocado colisões destrutivas entre eles.
De acordo com as simulações, a migração de Júpiter o levou a se aproximar a meros 7 milhões de quilômetros desse infeliz gigante de gelo. O ‘empurrão’ gravitacional resultante foi forte o bastante para conceder ao planeta perdido a velocidade de escape do sistema solar, condenando-o a vagar solitário na escuridão do espaço interestelar. Esse evento, no entanto, não foi em vão: ao ser expulso, o planeta extra aliviou a tensão gravitacional geral, permitindo que Júpiter e Urano mantivessem seus séquitos lunares.
Os detalhes revelam que a sorte das luas variou conforme o cenário. Em simulações que partiam com dois gigantes de gelo extras, as luas de Júpiter tinham maior probabilidade de sobrevivência, enquanto os satélites de Urano se saíram melhor quando havia um único, porém mais massivo, gigante de gelo adicional. Apenas duas configurações nos modelos de Clement garantiram a integridade simultânea de ambos os sistemas de luas, e ambas exigiam a presença inicial de ao menos um planeta a mais no sistema solar primitivo.
A equipe reconhece que as simulações do chamado ‘modelo de Nice’ são estocásticas por natureza, contendo um elemento de aleatoriedade que torna improvável a recriação exata da história. Apesar disso, os pesquisadores defendem que o estudo oferece uma pista robusta sobre os traços gerais da formação planetária, onde a presença de um mundo adicional foi fundamental para preservar a estrutura que hoje observamos. O gigante gelado perdido continua lá fora, frio, solitário e invisível, como uma testemunha silenciosa do nascimento violento do nosso quintal cósmico.
Leia mais sobre o assunto na space.com.
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