Senador filipino cobra eletrificação urgente para reduzir dependência do petróleo

Um homem discursa em evento com painel do jornal "The Manila Times" ao fundo. (Foto: cleantechnica.com)

As Filipinas possuem uma das maiores reservas de níquel do mundo, mineral essencial para baterias de veículos elétricos. Apenas 1% da frota local é eletrificada, apesar do potencial.

O senador Sherwin Gatchalian defendeu no Fórum Automotivo do Manila Times uma implementação mais agressiva da Lei de Desenvolvimento da Indústria de Veículos Elétricos. Ele argumentou que o país precisa construir um ecossistema completo de mobilidade elétrica para garantir segurança econômica.

A transição energética deixou de ser apenas ambiental para se tornar questão de sobrevivência nacional. O arquipélago importa quase todo o petróleo que consome, ficando vulnerável a choques de preços e instabilidade geopolítica.

O setor de transportes responde por mais da metade do consumo nacional de combustíveis. As recentes tensões no Oriente Médio expuseram novamente a fragilidade das economias dependentes de petróleo importado.

Enquanto EUA e Europa tratam a eletrificação como política de redução de emissões, as Filipinas a veem como forma de blindar a economia. A medida reduziria a dependência do petróleo e os custos de transporte no longo prazo.

A Tailândia se consolidou como polo de fabricação de veículos elétricos no Sudeste Asiático. A Indonésia usou suas reservas de níquel para se posicionar como futura potência na produção de baterias.

Segundo o portal CleanTechnica, as Filipinas exportam a maior parte do níquel para processamento na China. O país domina a cadeia global de fabricação de baterias, enquanto as Filipinas importam tecnologias acabadas de alto valor.

Gatchalian questionou por que o país não produz as baterias localmente. O parlamento estuda emendas à lei para acelerar a adoção de veículos elétricos e a implantação de infraestrutura de recarga.

Entre as propostas está a exigência de que estabelecimentos comerciais reservem 20% das vagas para veículos elétricos. Também são considerados incentivos como estacionamento com desconto e isenção de pedágios.

O governo avalia eliminar gradualmente as compras de veículos a combustão para frotas públicas a partir de 2028. A medida pode impactar significativamente um país onde as agências estatais foram lentas na adoção de elétricos.

Embora as Filipinas tenham eliminado impostos sobre veículos elétricos, os modelos continuam mais caros que os convencionais. Gatchalian sugeriu que bancos governamentais ofereçam financiamentos com juros reduzidos.

Os preços das baterias seguem em queda no mercado global. As células ainda representam entre 30% e 40% do custo total de um veículo elétrico, fator crítico para a adoção em massa.

A infraestrutura de recarga permanece como obstáculo fora dos principais centros urbanos. A escassez de estações públicas contribui para a ansiedade de autonomia dos consumidores.

O Departamento de Energia recebeu a incumbência de desenvolver um roteiro nacional de recarga. A implementação segue atrasada em relação ao ritmo necessário para uma adoção generalizada.

O transporte filipino gira em torno de veículos de utilidade pública, ônibus e motocicletas. A eletrificação depende menos de consumidores individuais e mais da conversão das frotas comerciais.

Os legisladores estudam propostas para subsidiar até 50% do custo dos veículos elétricos de utilidade pública. Esses programas poderiam reduzir emissões urbanas e custos operacionais do transporte público.

A transição exigirá requalificação da força de trabalho. Mecânicos precisarão dominar sistemas de baterias e manutenção de infraestrutura de recarga.

O desafio filipino reflete uma encruzilhada comum a economias ricas em recursos. Muitos países exportam matéria-prima barata e importam tecnologia cara, perpetuando dependências.

Leia mais sobre o assunto na cleantechnica.com.


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