Trauma de guerra atinge Israel com alta de 40% em casos de PTSD entre soldados

Soldados israelenses patrulham rua com civis ao fundo em área urbana. (Foto: aljazeera.com)

O Ministério da Defesa de Israel registrou aumento de quase 40% nos casos de transtorno de estresse pós-traumático entre soldados desde outubro de 2023. O dado reflete uma crise de saúde mental que se espalha pela sociedade israelense, conforme reportagem do portal Al Jazeera.

Pesquisa do Maccabi Healthcare Services revelou que um terço dos israelenses acredita precisar de apoio profissional em saúde mental. Entre militares, recrutas ou reservistas, o índice é ainda mais elevado.

Projeções do Ministério da Defesa indicam salto de 180% nos diagnósticos de PTSD até 2028. A ausência de dados oficiais sobre soldados dispensados por problemas psicológicos reforça a percepção de abandono institucional.

O serviço paramédico Magen David Adom criou unidade exclusiva para emergências de saúde mental após registrar alta de 45% em chamadas relacionadas ao tema. A maioria dos casos está ligada à tensão contínua das frentes de guerra.

O impacto mais grave aparece nos suicídios, com 78% dos casos militares em 2024 vinculados a operações em Gaza, Cisjordânia ocupada e Líbano. O The Jerusalem Post destacou o aumento de violência doméstica, depressão e estresse crônico desde outubro de 2023.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, reconheceu o crescimento da violência interna em evento recente. Ele alertou para a brutalização que ameaça se tornar parte central da sociedade israelense.

O especialista em saúde mental e veterano Tuly Flint afirmou que outubro de 2023 destruiu a sensação de segurança da população. Ele apontou perda de confiança nas instituições e um sentimento de traição que empurrou setores para a direita política.

Pesquisa do site N12 com jovens judeus israelenses de 18 a 21 anos mostrou que 46% atribuem o ataque de 7 de outubro a traição interna. A maioria se declarou mais direitista e religiosa que gerações anteriores.

O sociólogo Yehouda Shenhav-Shahrabani argumentou que a violência sempre esteve presente em Israel desde 1948. Ele afirmou que o elemento fascista do sionismo, antes obscurecido, tornou-se evidente após os eventos de outubro de 2023.

A professora Zahava Solomon, da Universidade de Tel Aviv, destacou que o trauma pode levar uma sociedade à agressividade ou à negociação. Em Israel, o trauma histórico do Holocausto criou um senso de vitimização que afeta os palestinos.

Para Tuly Flint, não há cura para quem ultrapassou certos limites psicológicos. Ele resumiu que só existe recuperação, em um diagnóstico sombrio sobre o futuro de uma sociedade moldada pela guerra e ocupação.


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