Paleontólogos descobriram uma nova espécie de ave pré-histórica na província de Liaoning, no nordeste da China. Os fósseis, com cerca de 121 milhões de anos, pertencem ao Período Cretáceo e foram batizados de Plumadraco bankoorum, ou dragão emplumado.
O fóssil preserva penas corporais, asas e uma cauda de proporções extraordinárias. As penas caudais chegam a ter o dobro do tamanho do corpo do animal, estabelecendo um novo recorde entre os enantiornithes, grupo de aves mais diversificado da era Mesozoica.
Segundo o estudo, essas penas alongadas funcionavam como ornamentos sexuais. Os machos as utilizavam em exibições elaboradas para atrair parceiras durante o cortejo, semelhante ao comportamento de aves modernas.
A pesquisa foi publicada no periódico científico PLOS One e divulgada pelo portal Phys.org. O estudo foi liderado por Alexander Clark, pesquisador da Universidade de Chicago especializado em comportamento e anatomia de aves modernas.
Clark destacou a integridade e o comprimento incomum das penas caudais como os principais atrativos do fóssil. As análises revelaram variações estruturais nas penas que produziriam diferentes níveis de oscilação e tremulação quando movimentadas.
As extremidades das penas, chamadas de raquetes distais, possuem uma estrutura enfraquecida. A haste central de sustentação desaparece antes da metade de cada raquete, padrão semelhante ao observado nas penas da garupa do pavão-indiano macho.
Essa semelhança sugere que o Plumadraco macho arrastava uma cauda com o dobro do comprimento de seu corpo para impressionar potenciais parceiras. Vestígios de tecidos musculares em outros fósseis indicam que a exibição consistia em movimentos verticais de levantar e abaixar a cauda.
O ambiente onde o Plumadraco vivia era composto por lagoas, riachos e lagos. A vegetação incluía manguezais e plantas lenhosas que formavam um dossel semi-fechado, em um ecossistema sazonal com variações climáticas ao longo do ano.
O nome da espécie, bankoorum, homenageia Winston E. e Paul C. Banko. Pai e filho dedicaram décadas à ornitologia e à biologia da conservação no arquipélago do Havaí e em outras regiões.
Clark trabalhou com Paul Banko como biólogo da vida silvestre no Havaí. Ele afirma que a ética de trabalho e a generosidade de ambos o inspiram até hoje.
Um detalhe intrigante é que o espécime de Plumadraco ainda não havia atingido a maturidade esquelética completa. Isso sugere que a ave já era sexualmente ativa antes de terminar seu desenvolvimento ósseo, indicando prioridade evolutiva para o acasalamento precoce.
Para Clark, a descoberta oferece uma conexão única com um organismo que não via a luz do sol há mais de 121 milhões de anos. O pesquisador espera que futuros estudos com enantiornithes preservados inspirem análises detalhadas, mesmo que as analogias com aves modernas nem sempre sejam precisas.
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