O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a semana com uma vitória legislativa histórica, aprovando na Câmara a PEC que derruba a escala de trabalho 6×1. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colheu críticas ao conseguir dos Estados Unidos a classificação de facções brasileiras como terroristas.
Uma análise publicada pelo G1 descreveu os sete dias como um retrato acelerado do que poderá ser a campanha de 2026, com altos e baixos intensos para os dois principais pré-candidatos. No centro do tabuleiro, ficou evidente a diferença entre quem entrega conquistas populares e quem aposta na pressão externa para se reposicionar.
Na segunda-feira (25), enquanto Flávio buscava uma foto com Donald Trump nos EUA, Lula se reunia com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para destravar a votação da PEC. O texto foi aprovado na Comissão Especial na quarta (27) e, no mesmo dia, no plenário principal: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.
A esmagadora maioria – incluindo votos do Centrão – evidenciou a força do governo quando age em sintonia com pautas populares. Onze deputados do PL votaram contra a PEC no primeiro turno e nove na segunda votação, deixando claro de que lado o partido de Flávio está quando o assunto é direito trabalhista.
O gesto de Flávio e a resposta de Lula
Flávio Bolsonaro viajou a Washington ainda sob o desgaste do caso Banco Master, que revelou suas cobranças ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia do pai. Na terça-feira (26), conseguiu a foto com Trump na Casa Branca, mas o que se seguiu alimentou um acirrado debate nacional.
O secretário de Estado Marco Rubio anunciou, na quinta à noite, que os EUA classificariam o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, justamente o que Flávio havia solicitado na reunião. Embora a medida já estivesse em análise antes do encontro, ela foi imediatamente atribuída pelos aliados do senador à sua suposta articulação.
Lula, que em maio tentara evitar esse gesto por considerá-lo uma ameaça à soberania brasileira, reagiu com firmeza na sexta-feira (29). ‘Não temos vergonha de trair a pátria e pedir intervenção’, disse o presidente, mirando diretamente no adversário que acabava de pedir ajuda externa.
Enquanto o governo defendia a integridade territorial, os pré-candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) celebravam a decisão americana sobre as facções. A atitude os alinhou ao gesto de Flávio e reacendeu o debate sobre os riscos de ingerência estrangeira no Brasil.
Duas estratégias para 2026
A semana escancarou dois modelos opostos de campanha. De um lado, um presidente que articula no Parlamento, entrega direitos trabalhistas e defende a independência nacional contra pressões externas.
Do outro, um pré-candidato que busca apoio estrangeiro para compensar o desgaste doméstico com escândalos financeiros, oferecendo de brinde uma crise diplomática que o próprio governo terá de administrar. A gangorra de 2026 mal começou, mas já mostra quem está plantando soluções e quem está colhendo tempestades.
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