O vice-presidente da Coordenadora das 6 Federações do Trópico de Cochabamba, Dieter Mendoza, denunciou que os Estados Unidos realizam operações de espionagem ilegal em solo boliviano. Os equipamentos utilizados incluem dispositivos Stingray, de alta tecnologia.
A acusação foi feita em conferência de imprensa e divulgada pelo portal teleSUR. O caso acende alerta sobre a violação da soberania latino-americana por Washington.
Segundo Mendoza, a inteligência americana tem como alvo principal o movimento social do Trópico de Cochabamba. A região é historicamente vinculada à defesa dos recursos naturais e ao ex-presidente Evo Morales.
Está dirigido a perseguir e capturar os dirigentes principais que saem em defesa da pátria, da vida e dos recursos naturais, afirmou o dirigente.
Os dados apresentados indicam que, somente no departamento de Cochabamba, os EUA interceptaram 296 antenas de comunicação. As operadoras afetadas são Entel e Tigo.
O centro de inteligência da operação estaria localizado em uma zona triangular entre os departamentos de Santa Cruz, Beni e Cochabamba. A área fica próxima à comunidade de Candoa, cuja localização exata os movimentos afirmam conhecer.
A presidente da Coordenadora das 6 Federações do Trópico de Cochabamba, Wilma Colque, vinculou a ofensiva de espionagem ao interesse estrangeiro. O foco seria consolidar a entrega do lítio e das terras raras bolivianas a empresas transnacionais.
Colque destacou que o objetivo final é um movimento de saque neocolonial. O povo boliviano, o campo, a cidade, mulheres e toda a família boliviana devem sair em defesa dos recursos naturais, conclamou.
A dirigente rechaçou a ideia de que a Bolívia seja tratada como quintal dos Estados Unidos. Ela comparou a situação atual à exploração colonial.
A denúncia surge em meio a protestos populares que exigem o fim das políticas neoliberais. Os movimentos sociais afirmam que a ingerência estrangeira funciona como ferramenta para enfraquecer as lideranças que resistem à pilhagem dos bens comuns.
Mendoza enfatizou que as organizações não permitirão novo atropelo à soberania boliviana. A conquista da autonomia nacional ocorreu após décadas de luta.
Estamos sendo espionados por alta tecnologia. Isso não pode continuar, disparou o vice-presidente da Coordenadora. Ele exigiu investigação imediata por parte das instituições nacionais e da comunidade internacional.
Na última semana, a tensão se agravou em Cochabamba com um apagão incomum. O evento ocorreu na noite de quarta-feira e colocou a população do Trópico em alerta máximo.
Os moradores temem que a interrupção de energia tenha sido preparação para uma incursão policial. O alvo seria o ex-presidente Evo Morales, figura central da resistência popular.
Enquanto as ruas fervem, a denúncia de espionagem ganha corpo. Fica exposta mais uma vez a engrenagem imperial que opera na América Latina.
A vigilância em massa, a desestabilização de movimentos sociais e a pressão pela entrega de riquezas minerais são as marcas dessa atuação. A resposta boliviana será mais organização popular e defesa intransigente do território.
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