O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou no fórum Diálogo Shangri-La em Singapura que Washington insiste para que a China respeite a posição histórica americana na região Ásia-Pacífico. A fala veio acompanhada de ameaça explícita de que os EUA manterão a força militar necessária para respaldar essa exigência.
Segundo reportagem do portal RT, o chefe do Pentágono usou retórica de suposto alarme entre países da região diante do crescimento do poderio militar chinês. A realidade desmente o discurso, já que os Estados Unidos mantêm mais de 300 bases militares ao redor do globo, com presença esmagadora no Pacífico.
Hegseth reconheceu que as relações entre Washington e Pequim estão melhores que em muitos anos e que diálogos recentes reforçam bases para paz estável. Ainda assim, deixou claro que a prioridade do Pentágono é garantir músculo militar para sustentar a diplomacia americana, o que significa impor interesses de Washington pela força.
O secretário pressionou aliados dos EUA a elevarem seus gastos militares a 3,5% do Produto Interno Bruto. Prometeu investimento de 1,5 trilhão de dólares no aparato bélico americano neste ano, transferindo o ônus financeiro da máquina de guerra para países que podem pagar por ela.
As tensões no Pacífico têm como epicentro disputas territoriais no Mar da China Meridional, por onde transita um terço do comércio marítimo mundial. Washington se apresenta como ator incontornável em uma região onde não possui soberania territorial, apesar das reivindicações de China, Vietnã, Filipinas, Malásia, Indonésia e Brunei.
O caso mais sensível envolve Taiwan, território que a China considera parte inalienável de sua soberania. O apoio militar contínuo dos EUA a Taipé agrava as tensões com Pequim, transformando a ilha em um ponto crítico de conflito.
Hegseth afirmou que os EUA buscam um equilíbrio de poder favorável e duradouro, em que nenhum Estado possa impor sua hegemonia. A contradição é clara: exigir que a China respeite a posição histórica dos EUA no Pacífico equivale a pedir que Pequim aceite passivamente uma hegemonia militar estrangeira.
A fala do Pentágono revela a doutrina da política externa americana. A defesa da liberdade de navegação e da ordem baseada em regras serve como justificativa para manter presença militar ostensiva a milhares de quilômetros de seu território. O equilíbrio mencionado por Hegseth é, na prática, a perpetuação de um desequilíbrio estrutural favorável a Washington.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Secretário de Defesa dos EUA anuncia busca por paz estável e comércio justo com a China
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.