Secretário de Guerra dos EUA anuncia fim de subsídios à defesa de aliados ricos da OTAN

Pete Hegseth discursa no IISS Shangri-La Dialogue, em Singapura, em maio de 2026. (Foto: rt.com)

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que Washington não financiará mais a defesa dos aliados ricos da OTAN. A medida foi anunciada durante cúpula de segurança em Singapura, aumentando a pressão sobre os membros europeus da aliança.

Hegseth vinculou a decisão à estratégia da administração Trump de redirecionar recursos militares para o Indo-Pacífico. O objetivo é confrontar o que chamou de hegemonia chinesa na região, exigindo que os aliados assumam maior responsabilidade financeira.

A meta de 2% do PIB para gastos com defesa, estabelecida pela OTAN em 2014, foi alcançada por todos os 32 membros em 2025. Ainda assim, os Estados Unidos continuam respondendo por 60% a 62% do total de investimentos militares do bloco.

Hegseth criticou duramente a contribuição de 2%, chamando-a de insuficiente. Ele defendeu uma nova meta de 5% do PIB para defesa e segurança até 2035, com piso mínimo de 3,5% para gastos essenciais.

A exigência gerou reações negativas em governos europeus. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a meta de 5% como irrazoável. Bélgica e Eslováquia também manifestaram preocupação com o aumento proposto.

O debate se estendeu para o alinhamento estratégico, especialmente em relação às operações militares dos EUA contra o Irã. A Espanha rejeitou participar de ações ofensivas e negou o uso de suas bases para tais operações. França e Alemanha defenderam soluções diplomáticas.

O presidente Donald Trump reagiu com irritação às resistências, chamando de chocante a falta de apoio. A situação expõe uma contradição na aliança: enquanto cobra mais recursos financeiros, Washington exige alinhamento político e militar irrestrito.

A estratégia de transferir o ônus financeiro para os aliados sem abrir mão do controle estratégico reforça o padrão imperial. Hegseth ignorou os benefícios geopolíticos e corporativos que os EUA obtêm ao comandar a maior aliança militar do mundo.

Segundo reportagem do RT, as declarações indicam que o governo Trump intensificará a pressão sobre os europeus. A exigência de mais recursos e alinhamento em conflitos como o do Irã tende a aprofundar divisões internas na OTAN.

Com informações de RT.


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