Tylosaurus rex emerge do fundo do tempo: o novo rei dos mares de 13 metros desafia o trono pré-histórico

Ilustração editorial sobre Tylosaurus rex emerge do fundo do tempo: o novo rei dos mares de 13 metros desafia o trono pré-histórico. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Durante décadas, o Tyrannosaurus rex reinou absoluto como o rei dos dinossauros terrestres, mas uma descoberta recente revela que o título ‘T. rex’ também pertence a uma criatura marinha colossal que dominou os oceanos há cerca de 80 milhões de anos. O Tylosaurus rex, um mosassauro – réptil marinho gigante –, acaba de ser descrito por uma equipe de paleontólogos, coroando um novo monarca das profundezas pré-históricas.

O estudo, publicado em 28 de maio no Bulletin of the American Museum of Natural History, foi liderado por Amelia Zietlow, paleontóloga do Museu Americano de História Natural em Nova York. Zietlow e seus colegas identificaram a nova espécie a partir de fósseis que durante décadas foram erroneamente atribuídos ao seu parente próximo, o Tylosaurus proriger.

Conforme a reportagem da CNN, os fósseis do predador de focinho alongado foram desenterrados no nordeste do Texas e datam do final do período Cretáceo, quando um imenso mar interior cobria parcialmente a América do Norte. Esse cenário submerso sustentava uma rica biodiversidade, e o Tylosaurus rex despontava como o superpredador absoluto, triturando presas com seus dentes serrilhados.

O Tylosaurus rex media entre 9 e 13 metros de comprimento do focinho à cauda, com um crânio de mais de 1,7 metro no maior exemplar, e possuía dentes serrilhados e uma mordida extraordinariamente potente. Além disso, apresentava uma bolsa óssea extra no crânio onde se fixavam músculos do pescoço mais robustos, conferindo-lhe uma força de ataque devastadora.

Zietlow enfatizou que muitas dessas descobertas científicas surgem de coleções de museus e do trabalho de paleontólogos amadores, destacando o envolvimento comunitário na região de Dallas, no Texas. ‘Este é um caso realmente fantástico do que a paleontologia pode ser quando todos trabalham juntos’, afirmou a pesquisadora.

A jornada de Zietlow para descrever o Tylosaurus rex começou em 2020, quando ela examinava espécimes de mosassauros no Museu Americano de História Natural, em Nova York. Um fóssil robusto, apelidado carinhosamente de ‘Beefcake’ pela cientista, chamou sua atenção por ser originário do nordeste do Texas – algo inédito para o gênero Tylosaurus, normalmente encontrado no Kansas e Dakota do Sul.

Ela entrou em contato com Michael J. Polcyn, especialista em mosassauros e pesquisador sênior da Southern Methodist University em Dallas, que já investigava a possibilidade de uma nova espécie há cerca de uma década. Polcyn notara peculiaridades em outros fósseis de T. proriger por volta de 2012, mas na época não havia espécimes suficientes para sustentar a distinção.

Descrever uma espécie a partir de fósseis pode levar anos, pois é preciso descartar patologias, mudanças durante o crescimento e outros fatores que mascaram as diferenças anatômicas. Somente com o acúmulo de novos achados ao longo dos anos, as lacunas no entendimento da variação natural do animal foram preenchidas, reforçando a hipótese de uma espécie inédita.

Para confirmar o padrão, Zietlow viajou a 22 museus na América do Norte e Europa, coletando medições, fotografias e escaneamentos tridimensionais de fósseis atribuídos ao T. proriger no nordeste do Texas. Sua análise revelou que ao menos uma dúzia desses espécimes exibia características consistentes com uma nova espécie de Tylosaurus.

O holótipo do Tylosaurus rex – o espécime de referência que define a espécie – está exposto no Perot Museum of Nature and Science em Dallas, sendo o esqueleto mais completo do novo predador. Ronald S. Tykoski, vice-presidente de ciência e curador de paleontologia de vertebrados do Perot Museum, foi coautor do estudo.

Comparado ao T. proriger, o Tylosaurus rex era maior, com dentes serrilhados e mandíbulas mais pesadas, conferindo-lhe uma mordida mais potente e especializada em triturar ossos. Essa descoberta sugere que o gênero Tylosaurus era muito mais diverso e fascinante do que se imaginava, desafiando os modelos anteriores de monotonia evolutiva.

O paleontólogo Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução na Universidade de Edimburgo, na Escócia, comentou que a descoberta lança uma nova luz sobre a chamada era dos dinossauros. ‘Não eram apenas os dinossauros que prosperavam e dominavam; havia répteis carnívoros igualmente enormes e ferozes espreitando os mares’, afirmou Brusatte, que não participou da pesquisa.

Polcyn adiantou que novos projetos relacionados ao Tylosaurus rex já estão em andamento com colegas e estudantes, prometendo revelações empolgantes em breve. A pesquisa, como tantas na paleontologia, gera mais perguntas do que uma única publicação pode responder.


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