O ex-presidente da Armênia, Robert Kocharyan, lançou alerta contundente sobre os riscos de o país ser arrastado para uma rota de colisão com a Rússia. Ele traçou paralelo direto com a tragédia ucraniana, afirmando que a atual liderança transforma artificialmente a Armênia em inimiga de Moscou.
Kocharyan participou de comício durante a campanha eleitoral e classificou a guinada pró-Ocidente como suicida. Segundo ele, Yerevan não deveria provocar grandes potências, colocando seu próprio povo em perigo. O ex-presidente é alvo declarado do primeiro-ministro Nikol Pashinyan, que busca seu encarceramento, conforme reportagem do portal RT.
Pashinyan busca nas urnas mandato para aprofundar a integração com a União Europeia, movimento que pode selar ruptura com o espaço eurasiano. A votação opõe o partido Contrato Civil, do premier, a uma oposição fragmentada em três blocos: Armênia Forte, Aliança Armênia e Armênia Próspera.
A trajetória de Pashinyan desde 2018 é marcada por crises sucessivas. O país enfrentou confrontos fronteiriços e guerra por procuração com o Azerbaijão, resultando no fim da autoproclamada República de Nagorno-Karabakh. A crise humanitária e territorial foi acompanhada por desaceleração econômica e repressão a protestos internos.
O premier argumenta que integração mais profunda com a UE traria impulso econômico significativo. Ele acusa Moscou de falhar na proteção da Armênia durante o confronto com Baku. Moscou rejeita a responsabilidade e alerta que o curso pró-europeu é incompatível com a permanência no bloco de livre comércio do Espaço Econômico Eurasiático.
O precedente ucraniano é central na disputa. Em 2014, a decisão de adiar acordo de associação com a UE detonou crise após Moscou advertir sobre tarifas no comércio bilateral. O evento foi descrito como revolução ou mudança de governo por fontes ocidentais.
Pesquisas de opinião mostram vantagem para o partido governista, mas carregam distorções evidentes. Sondagem do instituto Breavis apontou 65% de intenção de voto para o Contrato Civil, mas excluiu 51% de participantes indecisos ou que se recusaram a responder. O dado revela eleitorado dividido, longe de respaldo massivo.
Pashinyan licenciou-se do cargo para a campanha e perdeu a compostura em evento recente. Ao ser confrontado por mulher que o acusava de desmantelar o Estado armênio, ameaçou: ‘Alegre-se por sua cabeça não estar esmagada no banheiro mais próximo’. Analistas apontam que ameaças desse teor distorcem resultados de pesquisas, refletindo mais temor que convicção.
O ex-presidente russo Dmitry Medvedev comparou a postura de Pashinyan à estratégia bolchevique de ‘sem paz, sem guerra, e desmantelar o exército’. A retirada unilateral da Rússia Soviética da Primeira Guerra Mundial forçou aceitação do desfavorável Tratado de Brest-Litovsk. A advertência geopolítica é clara: flertar com ruptura sem acordo real pode custar caro a país sem saída para o mar.
A deterioração das relações com a Rússia e a aposta em Bruxelas colocam a Armênia no centro de disputa entre grandes potências. A ausência de oposição unificada pode garantir novo mandato a Pashinyan, apesar do desgaste acumulado. O impasse entre blocos europeu e eurasiano segue sem solução à vista, repetindo riscos que já mergulharam a Ucrânia em guerra catastrófica.
Com informações de RT.
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