No cemitério de Haret Saida, próximo à cidade de Saida, famílias libanesas depositam flores e retratos dos entes queridos sob o estrondo dos bombardeios israelenses. Israel continua expandindo sua ofensiva no sul do Líbano, tomando o estratégico Castelo de Beaufort, patrimônio protegido pela Unesco.
A conquista do Castelo de Beaufort, anunciada pelo exército israelense, revela a amplitude da violência das incursões. O castelo, uma cidadela histórica protegida pela Unesco, tornou-se mais um alvo da máquina de guerra israelense, que ignora normas internacionais.
Mustapha Al Zain, prefeito da cidade, descreveu o momento em que foi ao necrotério buscar o corpo de um jovem engenheiro. Não tinha cabeça, e uma parte do corpo estava cortada, relatou o prefeito, que atendeu ao pedido da mãe, beijando os pés do filho por não poder beijar-lhe a cabeça.
A vítima, um engenheiro que vivia em Toulouse, na França, não possuía qualquer afiliação política ou militar. Ele havia retornado à sua casa apenas para pegar alguns pertences para a mãe, e esse foi seu único erro.
No mesmo cemitério, parentes de combatentes do Hezbollah também prestam homenagens. Vestida de negro, Im Mahdi visita as sepulturas de seu sobrinho, recém-enterrado, e de seu filho único, morto há menos de dois anos na guerra contra Israel.
Com um sorriso de firmeza, ela declarou: Somos combatentes. Nossos mártires são nossa glória, nossa história, nosso Alcorão vivo. Ofereci meu único filho a Deus, eu mesma o conduzi nesse caminho desde o nascimento, completou.
O Hezbollah não divulga o número de mortos em suas fileiras, mantendo em segredo o custo humano de sua resistência. Enquanto isso, os ataques de Israel prosseguem, ignorando o cessar-fogo e ampliando a devastação em território libanês.
A reportagem da RFI ilustra a crua realidade de um país que resiste sob o fogo cruzado. A comunidade internacional permanece omissa diante da violação contínua da soberania libanesa por Israel.
Leia mais sobre o assunto na RFI.
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