O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Ministério da Fazenda divulgou nota técnica projetando perda de fôlego na atividade econômica nos próximos meses, mas aposta na redução dos juros para impulsionar a economia no quarto trimestre.
O documento da Secretaria de Política Econômica (SPE), obtido pelo Metrópoles, indica que a dissipação dos efeitos de políticas públicas levará à desaceleração. A queda do custo do crédito, porém, poderá compensar parcialmente esse movimento. A indústria manufatureira deve ganhar tração no fim do ano em resposta à flexibilização monetária em curso.
A agropecuária liderou o crescimento no período, com alta de 2%, seguida pela indústria, que avançou 1%. O setor de serviços registrou expansão de 0,5%. A formação bruta de capital fixo recuou, sinalizando queda nos investimentos tanto na comparação interanual quanto em relação ao trimestre anterior.
O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o ciclo de cortes da taxa Selic em março, reduzindo-a de 15% para 14,75% ao ano. Nova diminuição para 14,5% foi implementada posteriormente. A ata da reunião de abril não trouxe sinalização clara sobre os rumos do próximo encontro, marcado para os dias 16 e 17 de junho.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária monitora os impactos da guerra no Oriente Médio e do fenômeno El Niño sobre os preços. O objetivo é distinguir choques de oferta, como a alta do petróleo, de riscos que possam contaminar a inflação de forma mais duradoura.
O professor Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), avalia como arriscado depender de novos cortes de juros para sustentar o crescimento. Ele destaca que a incerteza diminuiu, mas os dados de investimento não são animadores, com quedas sucessivas nos últimos períodos.
As projeções para o acumulado do ano revelam cenário cauteloso entre analistas. O Ministério da Fazenda mantém estimativa de alta de 2,3% para o PIB de 2026. O boletim Focus do mercado financeiro aponta 1,89%, enquanto o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Banco Central projetam expansão de 1,6%.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 1,9% para a economia brasileira neste ano. Se confirmado, o Brasil poderá retornar à lista das dez maiores economias globais, posição que já ocupou em anos anteriores e que reforça sua relevância geopolítica e capacidade de atrair investimentos.
A equipe econômica trabalha com a expectativa de que a inflação ceda gradualmente, permitindo novos cortes de juros no segundo semestre. A continuidade da flexibilização monetária, no entanto, depende da evolução dos conflitos no Oriente Médio e dos impactos do Super El Niño, que podem pressionar preços de alimentos e energia.
A economia brasileira apresenta sinais contraditórios. O PIB mantém-se positivo, mas o investimento encolhe e a indústria de transformação enfrenta dificuldades. A retomada sustentada exigirá ambiente externo menos adverso e política monetária mais flexível, combinação que governo e mercado acompanham com atenção.
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