Israel arrasa sul de Gaza e transforma cidades em escombros militares

Ilustração editorial sobre Israel arrasa sul de Gaza e transforma cidades em escombros militares. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Imagens de satélite atualizadas revelam a destruição completa do sul da Faixa de Gaza, convertida em uma paisagem de ruínas e postos militares israelenses. Segundo reportagem da Al Jazeera, os registros aéreos expõem a demolição sistemática de cidades, cemitérios e áreas agrícolas no enclave sitiado.

O jornalista palestino Muhannad Qishta não encontrou os túmulos de suas irmãs Reem e Walaa em Khan Younis. O cemitério Sheikh Mohammed foi removido para dar lugar a tendas e veículos blindados de um posto militar israelense, apagando até a memória dos mortos.

As imagens de alta resolução, capturadas em fevereiro de 2026, mostram Rafah com sinais de destruição total. O bairro Tal as-Sultan foi reduzido a escombros, enquanto a aldeia sueca, comunidade costeira fundada em 1965 para abrigar refugiados, foi varrida do mapa e transformada em zona militar.

Em Khan Younis, distritos como Bani Suhaila, Abasan e al-Zana, que abrigavam 120 mil pessoas, tiveram quarteirões inteiros demolidos para abrir linhas de suprimento militar. A cidade de Hamad, projeto habitacional financiado pelo Catar ao custo de 135 milhões de dólares, está em ruínas, cercada por famílias deslocadas.

A guerra destruiu também a infraestrutura educacional e agrícola de Gaza. A FAO reporta que menos de 5% das terras férteis do território permanecem cultiváveis. O Monitor de Direitos Humanos Euro-Mediterrâneo confirma que Israel arrasou 94% dos cemitérios de Gaza, convertendo locais de luto em quartéis.

Os mapas de satélite revelam a superlotação em al-Mawasi, onde 1,9 milhão de palestinos se amontoam em tendas deterioradas junto à costa. A jornalista Ola Abu Moamer descreve cenas de famílias retornando de cozinhas comunitárias com panelas vazias, à beira da fome.

A destruição é apresentada como estratégia oficial. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou a expansão do controle militar de 60% para 70% do território. Analistas apontam que a ocupação viola o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com a Al Jazeera registrando 2.400 violações israelenses entre outubro e abril.

Nickolay Mladenov, alto representante do Conselho de Paz para Gaza, alertou o Conselho de Segurança da ONU sobre o risco de o status quo se tornar permanente. Enquanto isso, os mecanismos internacionais permanecem inertes, com o trauma palestino enterrado sob escombros e a infância roubada pela máquina de guerra expansionista.


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