Um tratamento de doze meses com o medicamento biológico abatacept adiou o surgimento da artrite reumatoide em pessoas de alto risco. Os efeitos persistiram por até quatro anos após o término da terapia, segundo pesquisa publicada na revista The Lancet Rheumatology.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do King’s College London, no Reino Unido, e acompanhou 213 participantes no Reino Unido e nos Países Baixos. O período de observação variou entre quatro e oito anos, aprofundando resultados de um ensaio clínico anterior que já havia demonstrado o potencial preventivo da substância.
Atualmente, não há medicamentos aprovados para impedir o desenvolvimento da artrite reumatoide em pessoas de alto risco. Esses indivíduos frequentemente enfrentam dificuldades laborais e financeiras mesmo antes do diagnóstico formal da doença.
Os participantes que receberam abatacept por um ano desenvolveram a doença muito mais tarde do que aqueles que receberam placebo. Em alguns casos, o surgimento da artrite reumatoide foi adiado em até quatro anos além do período de tratamento.
Durante a fase de terapia, os pacientes relataram alívio significativo de sintomas como dor nas articulações e fadiga, além de melhora no bem-estar geral. Após a interrupção do tratamento, os níveis de sintomas se igualaram aos do grupo de controle.
O maior benefício foi observado em pessoas com maior probabilidade de progredir para a doença, identificadas por exames de sangue que detectam autoanticorpos específicos. O professor Andrew Cope, líder do estudo, afirmou que intervir precocemente é seguro e pode prevenir a doença durante o tratamento, além de adiar sua manifestação clínica por anos após a suspensão da medicação.
Eventos adversos graves ocorreram em proporção semelhante entre os grupos tratado e placebo. Não foram identificados novos problemas de segurança relacionados ao uso do abatacept, reforçando a viabilidade da abordagem preventiva.
A pesquisa sustenta a possibilidade de modificar a trajetória da artrite reumatoide antes de seu surgimento completo. Isso pode reduzir o tempo vivido com sintomas e complicações.
Os pesquisadores destacam que os resultados fortalecem o argumento a favor de terapias imunológicas direcionadas para pessoas com risco elevado de doenças autoimunes. O estudo abre caminho para novas investigações e possíveis aprovações de tratamentos preventivos para a artrite reumatoide.
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