Brasil rebate ameaça tarifária dos EUA com dados: superávit americano atinge US$ 424 bilhões

Ilustração editorial sobre Brasil rebate ameaça tarifária dos EUA com dados: superávit americano atinge US$ 424 bilhões. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O governo brasileiro manifestou profunda indignação com a conclusão preliminar da USTR que ameaça impor novas tarifas ao país, classificando as medidas como unilaterais e desprovidas de qualquer justificativa. Em nota da Secretaria de Comunicação Social, Brasília afirmou que não havia nem há razão para sanções que também miram a plataforma de pagamentos Pix.

A investigação da Representação Comercial dos Estados Unidos, iniciada em 15 de julho de 2025, é apontada pelo governo Lula como um processo vinculado a tentativas de ingerência em assuntos internos. O comunicado acusa a participação de falsos patriotas que utilizam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.

Para sustentar sua posição, o Brasil divulgou um balanço detalhado das trocas comerciais que evidencia o imenso superávit acumulado pelos EUA na relação bilateral. Dados da Oficina de Análise Econômica americana mostram que, entre 2011 e 2025, o saldo positivo estadunidense em bens e serviços alcançou 424,5 bilhões de dólares.

Apenas em 2025, o superávit dos Estados Unidos em bens foi de 14,46 bilhões de dólares, cifra que sobe para 40,52 bilhões quando se incluem os serviços. Esses números contradizem frontalmente a retórica de supostas práticas comerciais desleais e revelam o caráter punitivo da ameaça tarifária.

Ainda mais revelador é o fato de que, no ano passado, 76% das importações brasileiras provenientes dos EUA ingressaram no país sem o pagamento de qualquer tarifa. Como apurou o portal RT, oito dos dez principais produtos comprados – entre petróleo, derivados, aeronaves, gás natural e carvão – tinham alíquota zero.

A política tarifária promovida pela administração anterior já produziu efeitos contrários aos interesses americanos. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras despencou para 9,4%, o menor percentual de toda a série histórica, sinalizando que o garrote aduaneiro está minando justamente o parceiro que pretendia favorecer.

O governo brasileiro também advertiu que se reserva o direito de acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, um claro aviso de que não aceitará imposições unilaterais. A ofensiva de Washington, longe de fortalecer os laços comerciais, busca enfraquecer a economia nacional, a geração de empregos e a renda no Brasil.

A menção explícita à conivência de setores domésticos com a investigação americana joga luz sobre a dimensão política da chantagem tarifária. Para o Planalto, trata-se de uma aliança entre setores domésticos que atentam contra a soberania e uma potência estrangeira que tenta ditar as regras do comércio.

Paralelamente, a tentativa de mirar o Pix – sistema público de pagamentos instantâneos que revolucionou a inclusão financeira no país – expõe o incômodo de Washington com avanços tecnológicos soberanos. A plataforma, que processa bilhões de transações, tornou-se um ativo estratégico que reduz a dependência de circuitos financeiros tradicionais controlados por grandes corporações americanas.

Os dados apresentados por Brasília desmontam a tese de que o Brasil adota barreiras injustas ao comércio dos EUA e evidenciam que a investida tarifária atende mais a cálculos políticos domésticos e a pressões de setores protecionistas americanos do que a qualquer lógica econômica. A insistência em medidas punitivas, num momento em que o superávit americano é expressivo, só acelera a perda de influência de Washington na maior economia latino-americana.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.