O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, rejeitou sugestões de que seu país estaria revivendo seu passado militarista. Em discurso no Shangri-La Dialogue, ele afirmou que mudanças na estratégia de defesa permitirão ao Japão desempenhar um novo papel cooperativo.
Koizumi declarou que Tóquio se opõe a “mudanças unilaterais ao status quo por força ou coerção”, comentário interpretado como referência às atividades marítimas de Pequim nos mares do Leste e do Sul da China, além de possível ação militar para reunificar Taiwan com a China continental.
O ministro afirmou que “todo país deve poder escolher seu futuro por sua própria vontade. E esta região deve permanecer aberta a todos os países que respeitam nossas regras e princípios compartilhados”.
As tensões entre China e Japão se intensificaram desde o final do ano passado, quando a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sugeriu ao parlamento que um conflito no Estreito de Taiwan poderia constituir uma situação de “ameaça à sobrevivência”, motivo suficiente para intervenção militar japonesa.
O governo Takaichi está promovendo revisões na estrutura política do país para permitir uma postura militar mais proativa. A China condena essa mudança como uma revitalização da ideologia militarista que impulsionou a agressão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.
Em aparente referência à China, Koizumi destacou que o Japão não possui armas nucleares nem bombardeiros estratégicos. Ele questionou: há um país que possui um enorme arsenal de armas nucleares e bombardeiros estratégicos, enquanto o Japão não tem nenhuma dessas armas, mas ainda assim é rotulado como “novo militarismo”. Não é estranho?
Pequim considera Taiwan parte da China e nunca renunciou ao uso da força para reunificá-la ao continente. A maioria dos países, incluindo Estados Unidos e Japão, não reconhece Taiwan como Estado independente, mas Washington se opõe a qualquer tentativa de tomar a ilha autogovernada pela força e está comprometido em fornecer armas para sua defesa.
O discurso de Koizumi delineou um papel mais robusto para as forças armadas e a indústria de armas japonesas. Ele descreveu a decisão do país de revisar sua estrutura de transferência de equipamentos e tecnologia de defesa como “desempenhando um novo papel na cooperação de equipamentos de defesa em toda a região”.
A constituição pacifista do pós-guerra do Japão renuncia ao uso da guerra para resolver disputas e proíbe o país de disparar o primeiro tiro em qualquer conflito. Mas as revisões permitiriam ao Japão exportar armas letais.
Koizumi afirmou que o reforço fundamental das capacidades de defesa, o fortalecimento da base de produção e tecnologia de defesa, e a revisão dos três documentos estratégicos com conclusão prevista para o final de 2026 fazem parte desse esforço.
O ministro disse ser “triste” não poder ter conversas com sua contraparte chinesa na conferência, mas que sua porta estava aberta. Ele declarou que diferenças de percepção e atritos surgem entre nações, e o necessário nesses momentos não é a repetição de alegações infundadas na ausência do outro lado, mas diálogo direto e franco.
Durante a sessão de perguntas e respostas, Koizumi respondeu a uma questão de um delegado chinês, afirmando que a política de defesa e o fortalecimento militar do Japão não se baseiam em ver qualquer país ou região específica como ameaça, nem visam levar a confronto militar.
Ele acrescentou que a China continua aumentando seus gastos com defesa em alto nível e está expandindo rapidamente suas capacidades militares em ampla gama de áreas sem transparência suficiente. A postura externa e as atividades militares da China são motivo de “séria preocupação” para o Japão e a comunidade internacional.
Material de referencia publicado por SCMP.