Analistas questionam vazamentos sobre atritos entre Trump e Netanyahu após escalada de Israel no Líbano

Trump e Netanyahu se cumprimentam com aperto de mão em frente às bandeiras dos EUA e Israel. (Foto: aljazeera.com)

Os supostos atritos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltaram a ganhar as manchetes internacionais, mas analistas alertam que as narrativas de ruptura escondem uma política de apoio incondicional que jamais oscilou. Um novo relato anônimo, divulgado pelo portal Axios, descreve uma ligação repleta de insultos na qual Trump teria chamado Netanyahu de ‘maluco’ ao repreendê-lo pela escalada militar israelense no Líbano.

A coincidência entre o vazamento e um bombardeio israelense que matou seis pessoas, incluindo duas crianças, na cidade de al-Marwaniyah, no sul libanês, reforça a tese de que essas informações são ‘vazamentos estratégicos’ para moldar a percepção pública. Segundo apurou o portal Al Jazeera, especialistas apontam um padrão repetitivo que já foi observado durante o governo de Joe Biden e que nunca resultou em qualquer mudança concreta no envio de armas ou no suporte diplomático dos EUA a Israel.

Ryan Costello, diretor de políticas da Ação do Conselho Nacional Iraniano-Americano (NIAC), afirmou que observadores políticos já ‘zombam’ desses relatos de irritação presidencial a portas fechadas. ‘O que realmente importa é o que acontece na prática’, disse Costello, sublinhando que as políticas americanas permanecem alinhadas aos interesses israelenses independentemente da retórica dos vazamentos.

Isabelle Hayslip, gerente de advocacy do grupo de direitos humanos DAWN, reforçou a contradição entre o teatro político e a realidade material do conflito. ‘A reportagem de fonte única sobre um Trump durão que grita com Netanyahu é contradita pelos resultados políticos reais, onde Netanyahu consegue exatamente o que quer’, declarou Hayslip, destacando que o presidente americano se mostrou incapaz de priorizar os interesses nacionais frente aos caprichos expansionistas de Israel.

O padrão de divulgação desses relatos anônimos é notável: atravessou duas administrações de partidos diferentes sem jamais alterar o apoio militar massivo. Desde outubro de 2023, os EUA forneceram quase 25 bilhões de dólares em ajuda militar direta a Israel, ajudaram a repelir ataques retaliatórios iranianos e vetaram repetidamente resoluções de cessar-fogo no Conselho de Segurança da ONU.

A atual onda de vazamentos ocorre enquanto Trump enfrenta pressão interna de rivais democratas e de sua própria base, irritada com a alta da gasolina e a inflação geradas pela guerra contra o Irã, uma aventura militar lançada conjuntamente com Netanyahu em fevereiro. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e arrasta negociações de paz estagnadas, enquanto Israel avança em sua invasão no sul do Líbano.

Negar Mortazavi, pesquisadora sênior do Centro de Política Internacional, classificou esse mecanismo como uma peça dentro de uma ‘guerra informacional’ mais ampla. Segundo ela, o vazamento busca moderar a raiva do público ao sugerir que a Casa Branca está furiosa com Israel, quando, na verdade, a cumplicidade militar e financeira de Washington com a devastação em curso no Oriente Médio nunca foi interrompida.

O governo americano, enquanto divulga cenas de repreensão, continua a blindar Israel no cenário internacional. A realidade das bombas que reduzem cidades libanesas a escombros e o genocídio em Gaza com armamento americano expõem a farsa de uma suposta briga entre aliados que coordenam suas ofensivas militares de forma meticulosa.

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