O governo de Cuba anunciou a suspensão do processamento de transações com cartões Visa e Mastercard, em consequência direta de uma nova ofensiva de sanções financeiras imposta pelos Estados Unidos. O impedimento decorre da entrada em vigor de restrições contra a FINCIMEX, S.A., entidade estatal vinculada ao conglomerado GAESA, sancionada por Washington em maio.
A decisão foi comunicada ao Banco Central de Cuba por um banco estrangeiro responsável pela intermediação das operações das bandeiras na ilha, que informou o rompimento do vínculo com a FINCIMEX a partir de 6 de junho. a medida está diretamente relacionada à Ordem Executiva No. 14.404, assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 1º de maio de 2026.
Com a ruptura, Cuba fica impossibilitada de receber receitas provenientes da venda de bens e serviços por meio dos cartões internacionais Visa e Mastercard. O Banco Central cubano, no entanto, esclareceu que seguem disponíveis outros meios de pagamento em divisas, incluindo dinheiro em espécie, cartões locais e as plataformas internacionais Mir e UnionPay.
A nova bateria de sanções já provoca impactos em outros setores estratégicos da economia cubana. O consórcio hoteleiro espanhol Meliá anunciou o encerramento de suas operações na ilha, igualmente em razão das medidas coercitivas unilaterais de Washington.
O governo dos EUA declarou uma emergência nacional contra Cuba, sob a alegação de que a ilha representaria uma ameaça à segurança estadunidense. O texto acusa o governo cubano de alinhar-se a países hostis, abrigar grupos transnacionais e permitir o desdobramento de capacidades militares de Rússia e China em seu território.
Com base nessas alegações, a Casa Branca impôs tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba e ameaçou retaliações contra quem descumprir a ordem executiva. No campo judicial, a Justiça dos EUA acusou o ex-presidente Raúl Castro e outras cinco pessoas pelo derribo de duas aeronaves em 1996, incidente em que as autoridades cubanas sustentam ter agido em legítima defesa do espaço aéreo.
Para Havana, a manobra constitui um ato de provocação política que manipula o incidente para justificar o recrudescimento do bloqueio econômico. O governo cubano denunciou que as novas sanções visam asfixiar a população e o turismo, fonte vital de divisas.